Um adolescente brasileiro de 15 anos, diagnosticado com autismo severo, foi imobilizado e algemado por seis policiais após fugir de uma escola pública em Portugal. O caso ocorreu na cidade de Leiria e gerou indignação da família, que denuncia excesso na abordagem. O jovem ficou com o rosto machucado.
Segundo relato da mãe, a cabeleireira Dira Thomasi, o estudante saiu da escola por um buraco e caminhou até entrar em uma residência térrea localizada a cerca de 500 metros da unidade de ensino. A entrada no imóvel teria ocorrido com a porta aberta.
De acordo com a família, o adolescente não é agressivo e possui limitações de comunicação, o que pode ter dificultado a compreensão da situação. A mãe acredita que algum episódio dentro da casa possa ter desencadeado a reação que levou à intervenção policial.
Abordagem policial gera revolta na família
Vídeos enviados por moradores mostram o momento em que o jovem é contido no chão por seis agentes. Nas imagens, ele aparece imobilizado na calçada, sendo algemado durante a ação.
Dira Thomasi criticou duramente a atuação dos policiais e classificou a abordagem como desproporcional. Segundo ela, o filho, que não é verbal, não conseguiu responder às perguntas feitas no momento da ocorrência.
A mãe afirmou ainda que o adolescente ficou em estado de choque, assustado e ferido após a intervenção. Ela também relatou que um professor chegou ao local posteriormente e informou aos agentes que se tratava de um aluno da escola, pedindo a retirada das algemas.
Relatos indicam possível agressão e falta de preparo
A família afirma não saber ao certo em que momento o jovem foi agredido — se dentro da residência ou durante a abordagem policial. No imóvel, um idoso de 80 anos estava presente, e, segundo testemunhas, o adolescente teria passado por ele de forma brusca.
Outro ponto levantado pela mãe é a condição de saúde do filho. O jovem possui pinos nas vértebras em decorrência de cirurgias anteriores, o que, segundo ela, torna ainda mais preocupante a forma como foi imobilizado.
A denúncia também inclui críticas à escola, que, de acordo com Dira, não teria acionado prontamente atendimento médico. A ambulância só foi chamada após insistência da família.
Família cobra investigação e responsabilização
Dira Thomasi afirmou que decidiu tornar o caso público para evitar que a situação seja esquecida e para cobrar providências das autoridades portuguesas.
Ela defende que houve falha grave ao não identificarem que se tratava de um adolescente com deficiência e questiona a condução da ocorrência desde o início.
Até o momento, a Polícia de Segurança Pública e o Ministério da Educação de Portugal não se pronunciaram sobre o caso.






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