Brasileira encontrada morta em floresta do Canadá pode ter sofrido frio intenso

As autoridades canadenses investigam a hipótese de que Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, tenha morrido de hipotermia

Uma brasileira desaparecida desde 2023 foi encontrada morta em uma região de floresta na província de Quebec, no Canadá, próxima à fronteira com os Estados Unidos. As autoridades canadenses investigam a hipótese de que Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, tenha morrido após exposição prolongada ao frio extremo, possivelmente associada à falta de alimentação.

O corpo foi localizado por pescadores em uma área de mata na cidade de Coaticook. De acordo com a polícia provincial de Quebec, não havia indícios aparentes de violência no local.

A principal linha de investigação considera a possibilidade de morte por hipotermia, provocada pelas condições climáticas severas da região durante o inverno.

Corpo foi identificado meses após ser encontrado

Apesar de o corpo ter sido localizado em abril de 2024, a identidade de Letícia foi confirmada apenas no final de fevereiro deste ano. A brasileira estava desaparecida desde dezembro de 2023 nos Estados Unidos.

Durante o período de buscas, o nome dela foi incluído na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado internacionalmente para localizar pessoas desaparecidas.

Para a família, a confirmação da morte encerra um período de mais de dois anos de incerteza e angústia.

Família relata anos de incerteza

Ao falar sobre a irmã, Fabrício Oliveira Alves destacou o perfil dedicado de Letícia, lembrando que ela sempre foi voltada aos estudos e a atividades voluntárias.

Segundo ele, a goiana mantinha forte ligação com ações sociais e religiosas desde a juventude.

Natural de Goiânia, Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela também concluiu mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, onde chegou a iniciar um doutorado.

Atuação em projetos religiosos e voluntários

Além da carreira acadêmica, Letícia participava de atividades missionárias ligadas à Igreja Adventista do Sétimo Dia, o que, segundo familiares, fazia parte de sua forma de exercer a fé e ajudar outras pessoas.

Ela deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu em Goiânia sob os cuidados da avó e não acompanhou as viagens internacionais da mãe.

De acordo com Fabrício, a menina agora tenta compreender o que aconteceu com Letícia após anos de incerteza sobre seu paradeiro.

Contato com a família foi interrompido em 2023

O último contato entre Letícia e os familiares ocorreu no fim de 2023. Depois disso, mensagens e ligações deixaram de ser respondidas.

A família registrou o desaparecimento e passou a buscar informações junto a autoridades brasileiras e estrangeiras.

Durante as investigações, parentes afirmam ter recebido relatos contraditórios sobre a situação da brasileira.

Relatos desencontrados marcaram as buscas

Segundo o irmão, houve informações de que Letícia estaria em algum local onde não desejava manter contato com a família. Também foi informado que ela teria ficado sob custódia de autoridades entre janeiro e abril de 2024.

Após esse período, porém, os familiares afirmam que nunca mais conseguiram estabelecer comunicação com ela.

A confirmação da morte trouxe tristeza, mas também levantou novas dúvidas sobre o que aconteceu nos últimos meses de vida da brasileira.

Família busca recursos para traslado do corpo

Agora, os parentes tentam arrecadar recursos para trazer o corpo de Letícia ao Brasil e realizar o funeral.

Eles também pedem apoio de autoridades, instituições acadêmicas onde ela estudou e pessoas que tiveram contato com a brasileira ao longo da vida.

O objetivo é garantir um sepultamento digno no país de origem.

Desaparecimento e investigação

Informações reunidas pelas autoridades indicam que Letícia deixou o Brasil em 2023 e passou por alguns países da América do Sul antes de seguir para os Estados Unidos.

Investigações posteriores apontaram que ela chegou ao território americano em janeiro de 2024 e permaneceu sob custódia de autoridades migratórias por cerca de três meses.

Depois de ser liberada, não houve mais contato com os familiares. Meses mais tarde, o corpo foi localizado em uma área de mata próxima à fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.

As circunstâncias da morte continuam sendo investigadas pelas autoridades canadenses.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Montreal acompanha o caso e presta assistência consular à família da brasileira.

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