Brasil mantém embaixadora na Venezuela e evita agravar crise diplomática, apesar de ataques a Lula

Após nota oficial, Itamaraty opta por não romper barreiras que evitem o diálogo com o país vizinho

O governo brasileiro decidiu, por ora, manter a embaixadora Glivânia Oliveira em Caracas e evitar escaladas na crise diplomática com a Venezuela, após uma nota oficial reprovando o comportamento do presidente Nicolás Maduro. A reação foi motivada por uma publicação da polícia venezuelana que mostrava a bandeira do Brasil e a silhueta do presidente Lula junto à frase: “Quem se mete com a Venezuela se dá mal”.

A imagem, que foi apagada após a reação do Brasil, representou um desrespeito tanto ao presidente quanto a um símbolo nacional, de acordo com o Itamaraty.

O governo brasileiro optou por emitir uma resposta firme, mas sem provocar maiores tensões, preservando assim o diálogo com a Venezuela. O texto da nota foi cuidadosamente redigido para expressar a “surpresa” com o tom ofensivo de Caracas e reiterar a posição respeitosa do Brasil.

“A opção por ataques pessoais e escaladas retóricas, em substituição aos canais políticos e diplomáticos, não corresponde à forma respeitosa com que o governo brasileiro trata a Venezuela e o seu povo”, diz a nota, sinalizando a intenção de manter a diplomacia no centro das relações bilaterais.

Crise começou com suspeita de fraude nas eleições venezuelanas

A origem da crise remonta às eleições presidenciais venezuelanas de 28 de julho, nas quais Maduro foi proclamado vencedor, apesar de alegações da oposição de que Edmundo González teria vencido. O Brasil optou por não reconhecer o resultado devido à ausência de transparência prometida por Maduro.

Recentemente, as tensões aumentaram quando Maduro tentou, sem sucesso, ingressar o país no bloco do BRICS, mas enfrentou um veto informal do Brasil durante uma reunião em Kazan, na Rússia.

A postura do Brasil ao não convocar a embaixadora reflete a tentativa de equilibrar a relação com a Venezuela e evitar uma ruptura que comprometa futuras negociações. Mesmo com as ofensas de Maduro, a decisão brasileira é de evitar uma medida extrema como o retorno da embaixadora, o que simbolizaria uma deterioração grave nas relações diplomáticas. Em vez disso, o Brasil adota uma abordagem cautelosa, mantendo canais de comunicação abertos para facilitar uma eventual reconciliação.

Com informações de O Globo

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