O Brasil segue sem avanços expressivos na aprendizagem dos estudantes, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8). A avaliação aponta estabilidade do desempenho brasileiro desde 2015, mas em um nível considerado baixo quando comparado à média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Na comparação com 2022, o país avançou seis pontos em Ciências, passando de 403 para 409. Em contrapartida, a nota caiu dois pontos em Leitura, de 410 para 408, e também dois em Matemática, de 379 para 377.
Apesar da redução da distância em relação aos países da OCDE em algumas áreas, o resultado não representa uma evolução significativa do ensino brasileiro. A diferença ocorre, em parte, porque países desenvolvidos também registraram perdas importantes de desempenho nos últimos ciclos.
Distância para países desenvolvidos
Em Matemática, o Brasil alcançou 377 pontos, enquanto a média da OCDE ficou em 469, uma diferença de 92 pontos. Em Leitura, foram 408 pontos contra 466 da organização, diferença de 58 pontos.
A distância já foi ainda maior no passado. No entanto, a redução não ocorreu principalmente por causa de uma melhora brasileira, mas pela queda registrada entre os países ricos.
A Finlândia é um dos principais exemplos. Entre 2006 e 2025, o país perdeu 80 pontos em Matemática, passando de 548 para 469, e 73 em Leitura, de 547 para 474. No mesmo período, o Brasil avançou apenas sete pontos em Matemática e 15 em Leitura.
Mais da metade está abaixo do básico
Um dos principais alertas do Pisa está relacionado ao percentual de estudantes que não alcança sequer o nível básico de proficiência. Em Matemática, somente 28% dos brasileiros atingiram ou superaram esse estágio, contra 65% na média da OCDE.
Em Ciências, 48% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível básico ou superior, enquanto a média da OCDE chegou a 74%. Em Leitura, o índice nacional foi de 49%, diante de 69% entre os países da organização.
No nível básico de Matemática, o estudante deve ser capaz, por exemplo, de compreender uma situação simples e representá-la matematicamente. Em Leitura, espera-se que consiga identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações a partir de critérios explícitos.
Países asiáticos dominam o ranking
Os resultados de 2025 também reforçaram a liderança de países e regiões asiáticas. As províncias chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, avaliadas como um único bloco, registraram as maiores médias em Matemática e Ciências.
Em Leitura, Cingapura ocupou a primeira posição. Mesmo entre os líderes, porém, houve queda de desempenho em relação a 2022. Cingapura, por exemplo, apresentou redução nas três competências, com perda de 12 pontos em Matemática.
Na América Latina, os resultados continuam entre os mais baixos da avaliação. O Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile e México, mas apresentou desempenho superior ao de Peru, Argentina e Equador.
O que explica a queda na aprendizagem
O relatório da OCDE aponta diferentes fatores para a redução do desempenho em Leitura observada internacionalmente. Entre eles estão a dificuldade dos estudantes em manter envolvimento prolongado com determinadas tarefas e a menor disposição para se dedicar a avaliações de baixo impacto.
O documento também cita mudanças nos hábitos de leitura, maior utilização de dispositivos digitais, aumento do absenteísmo e redução do apoio familiar como fatores associados ao cenário.
Dentro das escolas, problemas relacionados ao ambiente das salas de aula e às condições disciplinares podem ter reduzido o tempo efetivamente disponível para a aprendizagem.
Como o Pisa é realizado
Aplicado a cada três anos pela OCDE, o Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em diferentes países e economias. Em 2025, mais de 760 mil jovens participaram da avaliação internacional, representando cerca de 33 milhões de estudantes.
No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas. A amostra representa aproximadamente 2,1 milhões de jovens de 15 anos e corresponde a cerca de 76% da população brasileira nessa faixa etária.
Os participantes realizaram dois testes, com uma hora de duração cada, reunindo questões de múltipla escolha e dissertativas. Também responderam a um questionário sobre suas experiências escolares, condições de aprendizagem, atitudes, crenças e contexto familiar.







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