Bolsonaro coloca condição para aceitar resultado das eleições e mente sobre pandemia

Primeiro candidato à Presidência entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, “pelo que tudo indica”, a relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, está “pacificada”. Moraes é o responsável, no STF, por investigações contra aliados do presidente por disseminação de…

Primeiro candidato à Presidência entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, “pelo que tudo indica”, a relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, está “pacificada”. Moraes é o responsável, no STF, por investigações contra aliados do presidente por disseminação de informações falsas, as chamadas fake news. Nas últimas semanas, interlocutores das duas partes vêm tentando intermediar uma espécie de armistício entre o magistrado e Bolsonaro. “Tenho certeza de que o ministro Alexandre de Moraes vai chegar a bom termo nessa questão das eleições. Teremos eleições limpas”, frisou Bolsonaro.

Cobrado a assumir o compromisso de que não irá contestar o resultado das urnas, Bolsonaro afirmou que o país “terá eleições limpas”, mas acrescentou que aceitará o resultado o pleito “desde que (as eleições) sejam limpas e transparentes”. “Seja qual for (o resultado). Eleições limpas e transparentes serão respeitadas. Serão respeitados os resultados das urnas desde que as eleições sejam limpas e transparentes”, disse Bolsonaro. A entrevista foi aberta com uma pergunta sobre as constantes declarações contra as urnas eletrônicas por parte de Bolsonaro. Questionado o que planejava com essa estratégia, o presidente voltou a citar o inquérito da Polícia Federal cujas informações ele é investigado por ter vazado.”Se você pode colocar uma tranca a mais na sua casa, por que não fazer?”,  desconversou.

No Jornal Nacional, Bolsonaro também mentiu sobre as ações do governo na pandemia, ao negar ter barrado a compra de vacinas. O mandatário começou a entrevista mais calmo, dando respostas em um tom sereno. No decorrer do programa, porém, ficou mais irritado, principalmente após ser questionado se tinha algum arrependimento por ter imitado pessoas sem ar ao comentar os problemas da Covid-19. Ele, porém, disse que foi solidário às vítimas da pandemia. “A solidariedade eu manifestei conversando com o povo nas ruas, visitando as periferias de Brasília, vendo pessoas humildes que foram obrigadas a ficar em casa sem ter um só apoio de governador ou prefeito”, disse.

Durante a tarde, horas antes da entrevista, auxiliares do presidente divulgaram vídeos dos bastidores da viagem da comitiva, na tentativa de mobilizar a militância. Bolsonaro foi mostrado em momentos de descontração. Antes do embarque, Fábio Faria postou um vídeo do chefe mexendo no celular e rindo: “Olha a cara do presidente de preocupado hoje com o JN”, disse. Bolsonaro chegou a aparecer dizendo, em tom de brincadeira e gargalhando, que “daria um beijo em Bonner hoje”, numa referência a William Bonner, um dos apresentadores do telejornal.  A participação de Jair Bolsonaro no telejornal é a primeira de uma série de entrevistas que o Jornal Nacional realizará ao longo da semana, a exemplo do que já fez em eleições anteriores. Foram convidados os quatro candidatos à Presidência mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Datafolha em 28 de julho.  A ordem das sabatinas foi definida por sorteio: nesta terça-feira, estará no estúdio Ciro Gomes (PDT); na quinta, é a vez de Luiz Inácio Lula da Silva (PT); por fim, Simone Tebet (MDB) participará do “JN” na sexta. Todas as entrevistas terão 40 minutos.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading