Integrantes de facções criminosas que praticam o que passou a ser chamado de “novo cangaço” (grandes assaltos que subjugam cidades inteiras no interior do país) estão se aproveitando da liberdade assegurada por Jair Bolsonaro para a compra de armamento por pessoas registradas como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador) junto ao Exército.
Embora indiretamente, e de maneira involuntária, a liberalidade para a compra de armas de qualquer calibre, concedida pelo governo, acaba por ajudar as quadrilhas a formar seus arsenais.
Segundo reportagem do Globo, investigações policiais de quatro estados mostram a atuação de CACs no fornecimento de armas e munição para quadrilhas especializadas em roubos de grandes quantias — como ataques a agências bancárias e transportadoras de valores e assaltos com domínio de cidades de pequeno e médio portes.
Até uma bazuca foi comprada por um “colecionador” e fornecida a criminosos.
O fuzil usado por criminosos no roubo de uma transportadora em Guaíba, interior do Rio Grande do Sul, foi adquirido legalmente por uma pessoa registrada como CAC por R$ 14 mil numa loja de armas, autorizada pelo Exército a vender o produto, em agosto de 2021.
O dinheiro pertencia a uma facção criminosa, associada à quadrilha de assaltantes. Oito meses antes do crime, o homem — morador da cidade de Getúlio Vargas, no interior gaúcho — foi aliciado por um integrante da facção para virar CAC e fazer a compra. Como não tinha antecedentes criminais, ele conseguiu o certificado de registro. Pelo serviço, ganhou R$ 2 mil da quadrilha.
— O fuzil foi pego por ele na loja e, no mesmo dia, foi repassado aos criminosos. Detectamos que ele também comprou outras três pistolas para a mesma quadrilha, usando o registro de atirador — diz o delegado João Paulo de Abreu, da 1ª Delegacia de Repressão a Roubos (1ª DR), responsável pela investigação do crime.
O CAC foi preso em fevereiro deste ano, mas atualmente responde em liberdade.






Uma resposta para “Bolsonaro está armando criminosos do “novo cangaço”, que compram legalmente armas de cúmplices registrados como colecionadores”