As barcas do Rio de Janeiro começam a operar com um novo sistema de biometria facial que promete transformar a rotina de milhares de passageiros. A tecnologia, já usada em outros modais do estado, tem como principal objetivo reduzir fraudes no uso do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e das gratuidades — benefícios frequentemente alvo de irregularidades que causam prejuízos milionários aos cofres públicos.
O projeto foi implantado pela Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana, em parceria com o consórcio Barcas Rio e a empresa Mais.Mobi. A primeira estação a receber os equipamentos é a Praça XV, mas a instalação será expandida para outras unidades. De acordo com a secretaria, a biometria garante maior segurança e transparência, além de assegurar que apenas os titulares dos cartões possam usufruir dos benefícios concedidos pelo governo.
A medida não exige nenhum tipo de recadastramento dos passageiros. Isso porque os dados já estão vinculados ao sistema do BUI e das gratuidades. Na prática, ao passar pelas catracas, o rosto do usuário é comparado com o registro existente no banco de dados, liberando o embarque apenas se houver correspondência.
Os números apresentados pela secretaria revelam o tamanho do problema. Somente neste ano, em outros transportes que já utilizam a biometria facial, foram identificados 2,5 milhões de usos irregulares, o que levou ao cancelamento de 85 mil cartões. A economia gerada com o bloqueio dessas fraudes chegou a R$ 1,7 milhão.
Além do aspecto financeiro, a fiscalização também possui reflexos trabalhistas e jurídicos. O empréstimo ou a venda do Bilhete Único é ilegal e pode gerar demissão por justa causa de funcionários que compartilham o vale-transporte concedido pela empresa. Em casos mais graves, os envolvidos podem até responder criminalmente por fraude.
Para os passageiros que utilizam diariamente as barcas, a expectativa é de maior agilidade e segurança na hora do embarque. Já para o governo estadual, a biometria facial representa uma ferramenta estratégica para fechar brechas no sistema e tornar o transporte aquaviário mais eficiente e confiável.






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