Bancário tem prisão preventiva por suspeita de vazar dados de clientes do Banco do Brasil

Investigação aponta acesso ilegal a quase 3 mil contas em 585 agências e prejuízo estimado em R$ 1,43 milhão causado por esquema de fraudes bancárias.

Um bancário investigado por suspeita de acessar ilegalmente sistemas internos do Banco do Brasil e repassar informações sigilosas de clientes para uma organização criminosa continuará preso. A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada no sábado (18), após pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A decisão atende à manifestação do Núcleo de Atuação Perante as Centrais de Audiência de Custódia (NACAC/MPRJ), que apontou a gravidade do caso, o risco de continuidade das práticas investigadas e a necessidade de preservar o andamento das investigações.

O acusado é Carlos Luiz Araujo Pelegrino. Ele responde por suspeitas de acesso ilegal a sistemas informatizados, tentativa de furto mediante fraude e participação em organização criminosa.

Segundo a investigação, o bancário teria utilizado suas credenciais profissionais para acessar indevidamente sistemas internos do Banco do Brasil e obter informações confidenciais de correntistas.

Entre os dados que teriam sido acessados estão nome, CPF, telefone, saldo bancário e limite para transferências via Pix. De acordo com os investigadores, essas informações eram encaminhadas para um servidor externo supostamente ligado a uma organização especializada em fraudes bancárias.

Quase 3 mil contas foram atingidas

Relatórios técnicos indicam que a ação envolveu 4.105 registros, relacionados a 2.898 contas bancárias distribuídas em 585 agências do Banco do Brasil em diversas regiões do país.

O prejuízo estimado pelas autoridades é de aproximadamente R$ 1,43 milhão. As investigações ainda buscam identificar como os dados foram utilizados, a participação de cada suspeito e se há outros envolvidos no esquema.

Até o momento, não foi informado quantos clientes conseguiram recuperar os valores eventualmente perdidos nem se todas as contas acessadas sofreram movimentações financeiras.

Justiça destacou função de confiança

Ao determinar a prisão preventiva, a Justiça considerou que o investigado ocupava uma função de confiança na instituição financeira havia mais de 20 anos, circunstância que teria facilitado o acesso às informações sigilosas de milhares de clientes.

A decisão também cita a complexidade do esquema investigado, a dimensão do vazamento de dados e o elevado prejuízo financeiro apontado durante as apurações.

Investigação continua

A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.. As autoridades seguem investigando os acessos realizados aos sistemas, o funcionamento do servidor externo, as movimentações financeiras relacionadas ao caso e a possível participação de outros integrantes da organização criminosa.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Carlos Luiz Araujo Pelegrino não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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