Austrália concede asilo a jogadoras da seleção de futebol feminino do Irã

Atletas temiam perseguição ao retornar ao país após protesto silencioso durante execução do hino nacional em partida da Copa da Ásia

A Austrália concedeu asilo humanitário a algumas jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã que estavam no país disputando a Copa da Ásia. A decisão foi confirmada nesta segunda-feira (9) pelo ministro do Interior australiano, Tony Burke, após as atletas temerem perseguição caso retornassem ao território iraniano.

Segundo autoridades australianas, as jogadoras haviam se recusado a cantar o hino nacional iraniano antes de uma partida do torneio continental, gesto interpretado como um ato de protesto contra o regime da República Islâmica.

Cinco integrantes da delegação deixaram o hotel da equipe durante a noite, na cidade de Gold Coast, e buscaram proteção das autoridades locais. A polícia australiana as conduziu a um local seguro enquanto os pedidos de visto humanitário eram analisados.

Governo australiano confirma proteção às atletas

Tony Burke afirmou que aprovou pessoalmente os pedidos de proteção humanitária apresentados pelas atletas iranianas.

“A polícia australiana as levou para um local seguro. Ontem à noite, dei minha aprovação final aos seus pedidos de visto humanitário”, declarou o ministro a jornalistas.

O caso ganhou repercussão internacional após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que havia conversado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, sobre a situação das jogadoras.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que cinco atletas já haviam sido acolhidas pela Austrália, mas ressaltou que algumas integrantes da delegação consideravam retornar ao Irã por temer possíveis represálias contra seus familiares.

Pressão internacional por proteção

O pedido de proteção às atletas ganhou força após manifestações públicas de ativistas e figuras políticas internacionais. Entre eles está Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, que apelou para que o governo australiano garantisse a segurança das jogadoras.

Segundo ele, as integrantes da seleção estariam sofrendo forte pressão do regime iraniano por conta do gesto de protesto durante o torneio.

“As jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã estão sob intensa pressão e sendo ameaçadas pela República Islâmica”, escreveu Pahlavi em uma publicação na rede social X.

Ele afirmou ainda que as atletas poderiam enfrentar consequências severas caso fossem obrigadas a retornar ao país.

Protesto durante a Copa da Ásia

A delegação iraniana, composta por 26 integrantes, chegou à Austrália poucos dias antes do início da escalada militar no Oriente Médio envolvendo bombardeios de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.

Antes do primeiro jogo da Copa da Ásia, as jogadoras permaneceram em silêncio durante a execução do hino nacional do Irã, atitude que foi interpretada por autoridades e pela imprensa estatal iraniana como um gesto de desafio ao regime.

Posteriormente, elas voltaram a cantar o hino nas partidas seguintes, mas a repercussão do episódio já havia provocado críticas intensas no país.

Um apresentador da televisão estatal iraniana chegou a classificá-las como “traidoras em tempos de guerra”, dizendo que a atitude representava “uma grande desonra”.

Apoio de ativistas e personalidades

O caso também mobilizou organizações de direitos humanos e personalidades públicas. A escritora britânica J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, publicou nas redes sociais um apelo para que as atletas fossem protegidas.

“Protejam essas meninas!”, escreveu a autora.

Para Zaki Haidari, ativista ligado à Anistia Internacional, há risco real de perseguição caso as jogadoras retornem ao Irã.

Segundo ele, algumas atletas podem já ter recebido notícias de ameaças contra familiares que permanecem no país.

Procurada pela imprensa, a embaixada iraniana na Austrália não respondeu aos pedidos de comentário sobre o caso.

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