Um grupo pró-Palestina pichou e rasgou uma pintura centenária de Arthur James Balfour, na Universidade de Cambridge, nesta sexta-feira, desfigurando a arte do oficial britânico cujo compromisso de apoio para “o estabelecimento na Palestina de uma pátria nacional para o povo judeu”, em 1917, ajudou a pavimentar o caminho para a fundação de Israel três décadas depois.
O grupo Ação Palestina disse em um comunicado que a destruição do retrato no Trinity College, Cambridge, tinha a intenção de chamar a atenção para “o derramamento de sangue do povo palestino desde que a Declaração de Balfour foi emitida”, especialmente diante do conflito atual em Gaza.
Uma porta-voz do Trinity, cujos ex-alunos incluem o Rei Carlos III, bem como o próprio Balfour, disse em um comunicado na sexta-feira que o colégio “lamenta o dano causado a um retrato de Arthur James Balfour durante o horário de funcionamento público” e que havia notificado a polícia. Um comunicado da polícia de Cambridge disse que os oficiais estavam no local para investigar um relato de “dano criminoso”.
A Ação Palestina postou um vídeo de um manifestante primeiro jogando spray de cor vermelha no retrato — pintado em 1914 por Philip Alexius de László — e depois o cortando com um objeto afiado. O comunicado do grupo disse que Balfour havia dado a pátria dos palestinos — “uma terra que não era dele para dar” — iniciando o que descreveu como décadas de opressão.
Veja abaixo um vídeo da ação:
Desde 7 de outubro — quando militantes do Hamas entraram em Israel, mataram aproximadamente 1,2 mil pessoas e sequestraram outras 240 — bombardeios e invasões israelenses mataram mais de 30 mil pessoas em Gaza, a maioria mulheres e crianças, segundo as autoridades locais de saúde.
Desfigurar obras de arte se tornou uma tática de protesto popular nos últimos anos. É talvez mais associado a ambientalistas, que têm como alvo pinturas de van Gogh, Vermeer e Monet. Este ano, duas mulheres de um grupo ambiental entraram no Louvre e jogaram sopa na Mona Lisa. A maioria das pinturas que foram alvo estava coberta ou protegida de alguma forma, e muito poucas foram danificadas. Nas últimas semanas, manifestantes pró-Palestina têm mirado obras de arte em Nova York.
Nesta semana, algumas dezenas de manifestantes interromperam a abertura da mostra de um artista israelense em uma galeria de Manhattan, relatou o Hyperallergic. No mês passado, manifestantes interromperam uma conversa com um artista israelense cujos desenhos retratando 7 de outubro estão sendo exibidos no Museu Judaico, e dezenas de pessoas cantaram “Palestina Livre” em uma manifestação no Museu de Arte Moderna.
Com informações do GLOBO.
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