Ataques do Irã a navios no Estreito de Ormuz elevam tensão no Golfo

País reivindica disparo contra embarcações na rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial; tripulantes estão desaparecidos e mercado reage com alta do petróleo.

Pelo menos três navios foram atingidos por projéteis nesta quarta-feira (11) na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. O Irã afirmou ter realizado disparos contra duas embarcações. Ao menos três tripulantes estão desaparecidos.

Segundo a agência marítima britânica UK Maritime Trade Operations, um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por projéteis de origem não identificada. A agência registra 14 incidentes envolvendo navios na região desde o início do atual conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro.

Entre as embarcações atingidas está o cargueiro tailandês Mayuree Naree, que pegou fogo após o ataque. De acordo com a Marinha da Tailândia, 20 tripulantes foram resgatados, mas três continuam desaparecidos.

Outro navio afetado foi o porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa. A embarcação sofreu danos leves a cerca de 46 quilômetros de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. A empresa proprietária informou que todos os tripulantes estão em segurança.

Um terceiro cargueiro, o Star Gwyneth, com bandeira das Ilhas Marshall, também foi atingido. O impacto danificou o casco da embarcação, mas não houve registro de feridos.

A agência Agence France-Presse informou ainda que uma quarta embarcação pode ter sido atacada na região, embora detalhes sobre o navio e possíveis danos ainda não tenham sido confirmados.

Rota estratégica para o petróleo mundial

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio internacional de energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passam pelo corredor marítimo.

A escalada de tensões ocorre após ações militares recentes dos Estados Unidos contra embarcações iranianas suspeitas de instalar minas navais na região. Washington também avalia enviar navios de guerra para escoltar embarcações comerciais.

A instabilidade já provoca impacto no mercado global de energia. Os preços do petróleo registraram alta, com o barril do Brent crude oil superando US$ 90 e o West Texas Intermediate se aproximando de US$ 88.

Especialistas alertam que o aumento do risco na região pode tornar economicamente inviável a navegação pelo estreito, ampliando os temores de interrupção no fornecimento de combustíveis e pressão sobre a economia mundial.

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