Artistas brasileiros e internacionais manifestaram pesar pela morte do multi-instrumentista Hermeto Pascoal, aos 89 anos, anunciada pela equipe do músico na noite deste sábado (13).
“Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música”, diz a postagem. “No exato momento da passagem, seu Grupo estava no palco, como ele gostaria: fazendo som e música. Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva”, diz o comunicado assinado pela família e pela equipe.
O cantor e compositor Tiago Iorc comentou que Hermeto “nunca foi deste plano” e destacou a grandeza do legado do músico: “Sempre esteve aqui nos mostrando a imensidão que somos. Boa viagem, maestro”.
O saxofonista americano Kamasi Washington também prestou homenagem: “Descanse em paz, grande mestre Hermeto! Obrigado por todos os belos sons que você nos deixou aqui na Terra. Sua vida e sua arte são e continuarão sendo uma verdadeira inspiração para todos nós!”.
O humorista Whindersson Nunes afirmou que Hermeto “permanece vivo por meio de suas obras”, enquanto o baixista Michael Pipoquinha o chamou de “anjo dos sons”.
A cantora Rita Benneditto também lamentou: “Nosso grande mestre , o bruxo das invenções musicais partiu! Que notícia triste! Segue em paz amado mestre. Obrigada por tanto”.
Titi Vidal, Felipe Abib e Manuela D’Ávila comentaram com corações na publicação.
Chamado de “o músico mais impressionante do mundo” por Miles Davis (1926–1991), Hermeto construiu uma trajetória única, transformando objetos do cotidiano — panelas, chaleiras, regadores, brinquedos infantis e até animais — em instrumentos de alta elaboração rítmica e harmônica. Autodidata, começou a tocar acordeom aos 10 anos, mas só passou a escrever partituras depois dos 40. Ele morava em Bangu, na Zona Oeste do Rio.
Últimos palcos
Mesmo perto dos 90 anos, o alagoano mantinha a vitalidade criativa. No último mês, fez nove apresentações em sete países europeus. No Brasil, seu derradeiro show foi em junho, no Circo Voador, na Lapa, Rio, em clima de festa de aniversário.
Hermeto estava escalado para o Festival Acessa BH, em Belo Horizonte, neste sábado (13), mas sua participação foi cancelada na quinta-feira (11), por problemas de saúde.
Música sem fronteiras
Hermeto rejeitava rótulos. Chamava sua obra de “música universal”, por transitar entre baião, frevo, jazz, clássico e improvisação. Em 2023, recebeu o título de doutor honoris causa da Juilliard School, em Nova York, onde suas composições fazem parte do currículo. Também foi homenageado pelas universidades federais da Paraíba e de Alagoas.
Seu último álbum de inéditas, Pra você, Ilza (2024), dedicado à mãe de seus seis filhos, foi eleito pela APCA um dos melhores do ano. No mesmo período, ganhou a biografia Quebra tudo! – A arte livre de Hermeto Pascoal, do jornalista Vitor Nuzzi.
Da infância em Alagoas ao mundo
Nascido em 1936, em Lagoa da Canoa (AL), Hermeto iniciou a carreira no rádio de Recife com o irmão José Neto. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio, depois para São Paulo, onde integrou grupos como Quarteto Novo e Brazilian Octopus. A parceria com Airto Moreira e Flora Purim o levou aos EUA, onde se aproximou de Miles Davis.
Em 1972, causou polêmica no Festival Internacional da Canção ao reger um coral de porcos na música Serearei, vetada pela ditadura.
Hermeto deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos.






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