Arruda lança candidatura ao GDF, diz estar elegível e promete “faxina” no BRB

O ex-governador afirma que a Lei Complementar nº 219/2025 extinguiu sua inelegibilidade, critica a gestão do Banco de Brasília, promete reestruturar a instituição caso seja eleito e defende maior transparência nas contas do BRB

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda lançou sua candidatura ao Governo do Distrito Federal neste sábado (1º), durante a convenção do PSD. Em entrevista à imprensa, afirmou que está plenamente elegível à luz da legislação em vigor e apresentou propostas para reestruturar o Banco de Brasília (BRB), instituição que, segundo ele, enfrenta uma grave crise em decorrência da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha e da atual governadora, Celina Leão.

Ao justificar sua candidatura, Arruda sustentou que a Lei Complementar nº 219/2025 alterou a forma de contagem do período de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa.

“Estou elegível. Na legislação brasileira não existe penalidade eterna. Os oito anos de inelegibilidade começam a contar da decisão de segundo grau. No meu caso, essa decisão ocorreu em 17 de junho de 2014 e a inelegibilidade está extinta”, afirmou.

Críticas à gestão do BRB

Ao comentar a situação do Banco de Brasília, Arruda fez duras críticas à administração da instituição. Segundo ele, foram tomadas decisões incompatíveis com a solidez financeira do banco.

“O que eu resumo da atual gestão é que houve, no mínimo, um enorme ato de irresponsabilidade. Um banco com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 4 bilhões comprou cerca de R$ 16 bilhões em títulos podres ou de baixa qualidade”, declarou.

Na avaliação do candidato, essas operações colocaram o BRB em uma situação delicada e devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

 Balanço após as eleições

Arruda também criticou o pedido do BRB para divulgar seu balanço financeiro somente após as eleições.

“Na semana passada houve um pedido do banco para publicar o balanço apenas depois da eleição. Até hoje não publicaram o balanço. Nós não sabemos o tamanho real do rombo”, afirmou.

Segundo ele, a transparência das contas será o primeiro passo para qualquer processo de recuperação da instituição.

“O banco pediu para divulgar o balanço apenas depois da eleição. A mensagem que isso passa é: ‘deixa passar a eleição e depois a gente vê o que acontece’. Isso é extremamente grave.”

 Plano para recuperar o BRB

Caso seja eleito governador, Arruda afirmou que promoverá uma ampla reestruturação do banco.

Segundo ele, a primeira providência será conhecer a real dimensão das perdas após a divulgação do balanço. Em seguida, defendeu o fechamento das 19 agências abertas fora do Distrito Federal, argumentando que o BRB deve retomar sua vocação original.

“O banco hoje é pequeno para ser grande e grande para ser pequeno. Tem que reduzir o tamanho da operação nacional e voltar o foco para Brasília e para o Distrito Federal.”

O candidato também propôs o fim de despesas que considera incompatíveis com a situação financeira da instituição, como patrocínios ao futebol, à Fórmula 1 e a manutenção de salas VIP destinadas a autoridades.

 Recursos do FCO

Outra medida defendida por Arruda é negociar com o governo federal a transferência da gestão dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para o BRB.

Segundo ele, cerca de R$ 15 bilhões atualmente administrados pelo Banco do Brasil poderiam fortalecer significativamente a instituição financeira do Distrito Federal.

“Assim como acontece com o Banco do Nordeste, seria muito mais razoável que um banco regional administrasse esses recursos.”

Na avaliação do candidato, a mudança ampliaria a capacidade de financiamento ao desenvolvimento econômico do Distrito Federal e fortaleceria o papel do BRB como banco público regional.

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