Na Argentina, a situação de miséria se intensifica com a taxa de pobreza atingindo quase 60%, de acordo com dados do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA). O relatório revela que, entre dezembro e janeiro, a taxa de pobreza aumentou de 49,5% para 57,4%, alcançando o nível mais elevado desde 2004.
Joana, uma dona de casa de 33 anos, vive a realidade da pobreza pela primeira vez, após a demissão do marido em dezembro passado. A família, composta por Joana, o marido e três filhas, recorreu aos restaurantes populares em Buenos Aires e na Grande Buenos Aires, onde moram, em busca de alimentos distribuídos por organizações não governamentais como a Rede Solidária. O aumento da fila desses novos pobres reflete a multiplicação dos desafios enfrentados pelos argentinos nos últimos meses.
De acordo com os cálculos da UCA, aproximadamente 27 milhões de argentinos, de uma população total de 44 milhões, estão agora abaixo da linha da pobreza. O país se aproxima do recorde de 2002, quando a taxa atingiu 72%, após a crise política e social que resultou na renúncia do presidente Fernando de la Rúa (1999-2001). O diretor do observatório, Agustín Salvia, estima que os dados de fevereiro devem apontar uma taxa de pobreza em torno de 60%.
Salvia destaca que a disparada da pobreza está relacionada a diversos fatores, incluindo reajustes salariais e de programas sociais abaixo da inflação, a liberação geral de preços e a ausência de medidas específicas para proteger os setores mais vulneráveis.
A crise social argentina se aprofunda a cada dia, com Salvia estimando que entre 25% e 30% dos atuais pobres enfrentam uma situação crônica. Essas pessoas, muitas delas dependentes de restaurantes populares, agora enfrentam desafios adicionais devido a cortes e reestruturações internas decorrentes da chegada do presidente de direita Javier Milei ao poder em 10 de dezembro.
Com informações de O Globo





