Após trégua em Gaza, Israel mira Cisjordânia: ataque a Jenin deixa ao menos 4 mortos e 35 feridos

Operação militar amplia tensão na região, com destruição em áreas habitadas por refugiados

Dois dias após o início do cessar-fogo com o Hamas em Gaza e a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, Israel voltou seu foco militar para a Cisjordânia ocupada. A operação foi lançada em Jenin (foto), cidade conhecida como reduto de resistência armada palestina, resultando em ao menos quatro mortos e 35 feridos, segundo o Ministério da Saúde palestino.

A ofensiva foi anunciada pelo premiê Binyamin Netanyahu, que declarou que Israel seguirá combatendo o “eixo iraniano” em todas as frentes, incluindo Gaza, Líbano, Síria, Iêmen e Cisjordânia — chamada de Judeia e Samaria pelos israelenses. O gabinete de segurança de Israel incorporou a ação em Jenin como parte de seus objetivos de guerra, intensificando uma política que, segundo líderes locais, visa desestabilizar os palestinos e facilitar a expansão de assentamentos judaicos ilegais na região.

A operação mobilizou soldados, forças especiais do Shin Bet e policiais de fronteira, com apoio de drones, helicópteros Apache e escavadeiras militares. Segundo o Exército israelense, trata-se de uma “operação antiterrorismo” com duração indeterminada. No entanto, relatos de líderes comunitários descrevem um cenário de destruição: ruas foram obliteradas sob o pretexto de buscar explosivos, comprometendo a mobilidade local.

Jenin abriga o maior campo de refugiados da Cisjordânia

Jenin abriga o maior e mais empobrecido campo de refugiados da Cisjordânia, com cerca de 15 mil dos 50 mil habitantes da cidade. Originalmente formado por tendas nos anos 1950, o campo se transformou em um bairro urbanizado, que hoje é base de grupos como o Jihad Islâmico. Desde 2022, Israel intensificou ações similares na região, marcadas por destruições e mortes.

Enquanto a Autoridade Nacional Palestina (ANP) mantém um controle teórico sobre a Cisjordânia, o Hamas, que governa Gaza desde 2007, encara incertezas em meio à devastação provocada pela guerra iniciada após os ataques do grupo a Israel em outubro de 2023. A presença de escavadeiras e operações militares em Jenin reforça o temor de que o impacto seja não apenas físico, mas também sobre a liberdade de circulação dos palestinos.

Com informações da Folha de S.Paulo

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