No mesmo dia em que reconheceu ter subestimado a importância das câmeras corporais usadas pelos policiais militares, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou que o Estado receberá R$ 27,8 milhões do Ministério da Justiça e Segurança Pública para a aquisição de 2 mil novos equipamentos. Com isso, o número total de câmeras utilizadas pela Polícia Militar de São Paulo será ampliado em 38%.
Atualmente, a PM paulista conta com 10.125 câmeras corporais em operação. Esse número será elevado para 12 mil com a chegada de equipamentos adquiridos em setembro, antes do aumento anunciado nesta quinta-feira (5). Com os novos dispositivos, o programa atingirá 14 mil câmeras, beneficiando parte significativa do efetivo da PM, que possui cerca de 80 mil agentes.
Em janeiro deste ano, Tarcísio havia questionado publicamente a utilidade das câmeras. “Qual é a efetividade das câmeras corporais na segurança do cidadão? Nenhuma”, afirmou o governador em entrevista à TV Globo, reforçando críticas que já vinha fazendo à tecnologia. Contudo, em maio, o governo lançou um edital para a compra de novos equipamentos, que trazem uma tecnologia diferente: eles permitem que os policiais interrompam a gravação, algo que não era possível no modelo anterior. Especialistas alertam que essa funcionalidade pode comprometer a eficácia das câmeras, pois abre margem para que agentes desliguem o equipamento para evitar registro de irregularidades. Esses novos dispositivos ainda não estão em uso.
A mudança de postura de Tarcísio ocorre em meio a episódios recentes de violência policial, incluindo um caso que ganhou repercussão nacional, no qual um policial militar arremessou um homem de uma ponte em São Paulo. Diante desse contexto, o governador admitiu nesta quinta-feira que as câmeras corporais podem, sim, desempenhar um papel relevante no combate a abusos e na promoção da segurança pública.
“A questão das câmeras: eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão. Eu tinha uma visão equivocada, fruto da experiência pretérita que tive, que não tem nada a ver com a questão da segurança pública. Hoje, estou absolutamente convencido de que é um instrumento de proteção da sociedade, do policial. Vamos não só manter, mas ampliar o programa”, disse o governador.
No mesmo dia, Tarcísio soube que vai contar com auxílio do governo federal nessa tarefa de ampliação. A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) anunciou nesta quinta-feira a aprovação da proposta de São Paulo no edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
São Paulo concorreu na categoria de Estados com efetivo policial superior a 20 mil agentes, disputando com Bahia e Rio de Janeiro, e foi classificado em primeiro lugar, segundo os critérios definidos pela Senasp.
No documento de inscrição no edital, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo fez elogios ao equipamento e afirmou que a proposta que apresentava no edital “contribui com o desenvolvimento de políticas, projetos e atividades em Segurança Pública, bem como com a prevenção e enfrentamento à criminalidade com ênfase no combate à corrupção, ao crime organizado, ao crime violento, além de promover a estruturação e modernização dos órgãos e instituições de segurança pública federais, estaduais e municipais, estando, portanto, alinhada aos objetivos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que são o fortalecimento e modernização”.
Com informações do Estadão.





