O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (20) o empresário Sérgio Nahas a 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em setembro de 2002 no apartamento do casal, no Centro de São Paulo. A decisão representa um aumento da pena anteriormente aplicada, conforme pedido do Ministério Público.
Apesar da condenação, Nahas responde ao processo em liberdade. A advogada de defesa, Adriana Machado e Abreu, informou, por meio de nota, que “o caso se encontra em grau de recurso para que uma injusta condenação/prisão não ocorra.” Por sua vez, o advogado da família da vítima, Davi Gebara, declarou que ainda aguarda o trânsito em julgado da decisão, momento em que não haverá mais possibilidade de recursos. “O pai da vítima morreu sem ver a Justiça ser feita, infelizmente. A mãe dela também não está em bom estado de saúde após anos clamando por Justiça”, afirmou.
Contexto do crime e motivações apontadas pela acusação
Segundo a denúncia do Ministério Público, Sérgio Nahas teria assassinado Fernanda Orfali após sentir-se ameaçado pela possibilidade de ela descobrir suas traições e uso de drogas. Além disso, a acusação aponta que Nahas estava preocupado com a partilha dos bens em eventual divórcio.
De acordo com o promotor Fernando Bolque, o empresário arrombou a porta do closet onde a esposa estava se protegendo e disparou duas vezes contra ela. O laudo da perícia oficial indica que o primeiro tiro atingiu Fernanda, enquanto o segundo saiu pela janela. Fernanda, que enfrentava tratamento para depressão, não tinha vestígios de pólvora nas mãos, conforme constatado pela Polícia Científica, o que reforça a tese da acusação sobre o disparo intencional.
Defesa e controvérsias
A defesa do empresário contestou a versão da promotoria, alegando que diários pessoais da vítima indicavam tendências suicidas. Também ressaltou que a pistola usada no crime, uma arma que supostamente não deixa resíduos de pólvora nas mãos, justificaria a ausência desses vestígios. Nahas chegou a ser preso inicialmente por porte ilegal da arma, mas foi solto após 37 dias por decisão judicial.
O caso já teve desdobramentos anteriores na Justiça de São Paulo, onde Nahas foi condenado após 15 anos de processo.





