A Prefeitura promoveu uma reunião, nesta quarta-feira, com trabalhadores da Feira de Acari depois da operação de desmobilização do comércio ilegal na famosa feira dominical na Av. Martin Luther King, na Zona Norte da cidade. Segundo o subprefeito da Zona Norte, Diego Vaz, o encontro teve como objetivo orientar a população que busca oferecer sua mercadoria respeitando as leis municipais.
— Nos reunimos com um grupo que tem vontade de se regularizar para trabalhar dentro das legislações vigentes da Prefeitura. Ficou combinado uma reunião para esta sexta-feira às 8h na subprefeitura junto com a Coordenadoria de Controle Urbano, que regulamenta o comércio ambulante, e com a Coordenação de Feiras, onde eles serão alocados. Existe uma feira em uma rua paralela à calçada do metrô de Acari. A ideia é que eles, uma vez regularizados e adequados à legislação vigente, possam vender suas mercadorias com procedência comprovada e a nota fiscal. A feira funcionará nos mesmos moldes da feira da General Glicério, da Feira da Glória, da Feira do Cachambi, da Feira da Praça 15, entre outras. Esse é um trabalho em parceria da subprefeitura com a Secretaria de Ordem Pública a pedido do prefeito Eduardo Paes. O prefeito quer manter a ordem e a proibição da venda de qualquer produto de origem e procedência ilícita, mas busca ajudar o trabalhador e a trabalhadora que vão atrás do seu sustento de forma legal — explica Diego Vaz.
Na calçada às margens da estação do Metrô Acari/Fazenda Botafogo, e com cerca de um quilômetro de extensão, o comércio popular, que já foi apelidado de “roubatudo” e “robauto”, vendia produtos como equipamentos eletrônicos, eletrodomésticos, alimentos, animais silvestres, medicamentos, calçados e roupas de lojas de departamento. Tudo a preços abaixo dos praticados no mercado regular. Segundo a prefeitura, a maioria das mercadorias era fruto do roubo de carga.
O decreto que proíbe o funcionamento da Feira de Acari foi publicado no Diário Oficial no dia 23 de janeiro. De acordo com o documento, um relatório de Inteligência da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) apresentado à Secretaria de Segurança Pública identificou a ligação da feira com organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, roubo de carga, furto de energia e contrabando.
O monitoramento da Seop revelou ainda que, para ter autorização dos traficantes que atuam no local, o ambulante irregular precisa desembolsar ao menos R$ 6 mil por um ponto, além de pagar de R$ 20 a R$ 30 pela montagem das barracas a cada domingo.
A Seop monitorou também a ação dos traficantes. Segundo detalhou a pasta, nos sábados, durante a madrugada, entre meia-noite e 1h, “os meninos”, como são chamados os traficantes que descem da comunidade para montar as barracas, começam os trabalhos. As mercadorias roubadas vão chegando aos poucos e sendo colocadas no meio da rua e na calçada. Toda a negociação de preço é feita na hora. Já a venda de animais silvestres é um negócio à parte. Tucanos e outras aves são oferecidas por R$ 6 mil.
Com informações de O Globo.





