Após confirmação pelo governo da troca no Ministério do Turismo, o União Brasil entregou 48 votos favoráveis à Reforma Tributária e 11 contrários, o que equivale a 81% da sua bancada de 59 parlamentares. As rusgas mais recentes com o Palácio do Planalto fizeram com que o partido ameaçasse um posicionamento contrário ao interesse governista, momentos antes da votação. Em nota assinada por 39 parlamentares — incluindo o presidente do partido, Luciano Bivar —, o União chegou a pedir a retirada de pauta da PEC da Reforma Tributária.
Mas com a matéria em pauta, a legenda entregou mais votos ao governo do que em votações anteriores consideradas fundamentais, como o projeto de lei do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, quando foi contra o interesse governista e deu 48 votos “sim” e 2 votos “não”. Na votação que derrubou dois parágrafos de decretos da Presidência sobre o Marco do Saneamento, o União não entregou nenhum voto para os governistas.
E até mesmo em ocasiões em que os governistas saíram vitoriosos, o União Brasil firmou posicionamento contrário: na votação em que foi aprovado o requerimento de urgência do PL das Fake News, o União registrou 28 votos em dissonância ao entendimento do Planalto. Com três ministérios ocupados por seus quadros, o União não vinha atendendo a interesses do governo em plenário.
Nesta quinta-feira, momentos antes da votação da Reforma Tributária, o União viu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adiar a troca do comando do Ministério do Turismo, entre Daniela Carneiro e o deputado federal Celso Sabino (União-PA), porque persiste uma disputa em torno do comando da Embratur e algumas das principais lideranças do partido estão fora de Brasília. Este seria o pano de fundo para o pedido para retirada da PEC de pauta.
Em nota publicada posteriormente, porém, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, anunciou que o deputado Celso Sabino “vai liderar a pasta do Turismo”.
“O presidente Lula e eu nos reuniremos com o presidente e os líderes do União Brasil, em data a ser definida amanhã, para receber a indicação do deputado Celso Sabino, que vai liderar a pasta do Turismo, dando continuidade ao trabalho pela recuperação de um setor tão importante para a geração de emprego e renda no Brasil”, escreveu Padilha.
Bivar afirmou que a manifestação pela retirada de pauta da reforma se deu “apenas pela necessidade de mais diálogos” e negou que a disputa pelo Ministério do Turismo tenha motivado o posicionamento.
— Éramos contra alguns detalhes técnicos e queríamos mais tempo para discutir a matéria. Como não conseguimos e temos que votar, seremos favoráveis. Eu mesmo votarei sim. Não tem nada a ver com qualquer ministério — disse.
Com informações de O Globo.





