Após aval da Justiça argentina, Lula confirma encontro com Cristina Kirchner nesta quinta

Petista vai a Buenos Aires para visita pessoal à ex-presidente condenada por corrupção

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que viajará a Buenos Aires nesta quinta-feira (4) para visitar pessoalmente a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner. A informação foi divulgada por Igor Gadelha, no Metrópoles, e ocorre após a obtenção de aval judicial para que Cristina, condenada em segunda instância por corrupção, receba Lula em sua residência.

A visita foi articulada de forma discreta entre diplomatas brasileiros e autoridades argentinas, uma vez que Kirchner está impedida de sair do país por decisão da Justiça. Para que o encontro ocorresse, foi necessária autorização do juiz do caso, que permitiu a reunião, embora mantivesse a ex-presidente sob restrições legais.

Cristina Kirchner foi vice-presidente da Argentina até dezembro de 2023 e ainda figura como uma das figuras políticas mais influentes do país, mesmo após ter sido condenada em 2022 a seis anos de prisão por suposto favorecimento a empresários em contratos públicos durante seus mandatos como presidente. A pena ainda está em fase de recursos, o que a mantém em liberdade.

O encontro com Lula é visto como um gesto de solidariedade política e pessoal. Os dois líderes mantêm uma relação próxima desde os anos 2000, marcada por afinidade ideológica e apoio mútuo em momentos de crise política. A expectativa é que o encontro tenha caráter reservado, sem compromissos oficiais nem declarações públicas.

Encontro com Milei não está previsto

A viagem de Lula à Argentina será breve e não inclui compromissos com o atual governo de Javier Milei, com quem o presidente brasileiro mantém relações distantes desde a eleição do libertário.

Embora os detalhes sobre o conteúdo da conversa entre Lula e Kirchner não tenham sido divulgados, aliados próximos acreditam que o encontro reforça a tentativa do petista de manter viva a articulação de lideranças progressistas na América do Sul. A agenda também tem forte simbologia política, diante da ofensiva judicial enfrentada por Cristina, que tem denunciado perseguição e “lawfare”, termo que também foi usado por Lula durante os anos em que foi investigado e preso na Lava Jato.

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