Após ação da AGU, Ciro diz ser vítima de perseguição e chama Lula de maior aliado dos agiotas

Ex-ministro critica judicialização de suas falas e acusa o presidente de usar o Estado para silenciar opositores;

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) respondeu com duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ser alvo de uma ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo reportagem de O Globo, a petição foi apresentada na 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará e acusa Ciro de caluniar Lula ao relacioná-lo a crimes de corrupção e peculato em declarações públicas sobre o programa “Crédito do Trabalhador”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Ciro teria sugerido que o presidente recebeu propina para criar a iniciativa de crédito consignado, voltada a trabalhadores do setor privado. A AGU sustenta que as afirmações ultrapassam o limite da liberdade de expressão e violam a honra do chefe do Executivo.

Diante da ação judicial, o pedetista reagiu. “Nos últimos anos, eu tenho procurado suportar em silêncio um enorme lawfare”, disse, referindo-se ao uso do aparato jurídico para fins políticos. “Processos, muitos processos artificiais, são movidos contra mim por políticos agentes dos agiotas que chupam o sangue do povo brasileiro.”

Ciro foi ainda mais enfático ao acusar Lula de comandar essa suposta perseguição: “Agora, finalmente, o maior dos agentes dos agiotas, o presidente Lula, ele mesmo, do alto da sua covardia e manipulando o próprio poder da Presidência da República, entra nesse jogo judicial, na tentativa de me calar.”

Segundo ele, a ação não o acusa de calúnia, o que permitiria apresentar provas em sua defesa, com base na chamada “exceção da verdade”. “Lula não colocou o pobre no orçamento, colocou o pobre em leilão”, disparou, em crítica direta ao modelo de crédito consignado adotado pelo governo.

A ofensiva judicial contra Ciro gerou reações inesperadas. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, saiu em defesa do ex-ministro, criticando o que classificou como censura. “Ciro criticou a criação do empréstimo consignado para trabalhadores do setor privado, dizendo que Lula segue sua história de encher o bolso dos bancos enquanto fragiliza a população. Aí eu te pergunto: se ele não tivesse denunciado essa política pró-bancos do Lula, será que isso estaria acontecendo com ele? É claro que não, né?”, afirmou o parlamentar.

Ciro Gomes e Lula foram aliados durante o primeiro mandato do petista, quando o pedetista chefiou o Ministério da Integração Nacional. A ruptura veio em 2018, com o afastamento de Ciro do projeto petista, que se agravou nas eleições de 2022, quando o ex-ministro assumiu um tom mais agressivo contra o PT. Desde então, ele mantém uma linha crítica ao governo e tenta se reposicionar politicamente.

Neste ano, o ex-ministro tem sinalizado aproximações com setores da direita, incluindo grupos ligados ao bolsonarismo no Ceará, como estratégia para impedir a reeleição do governador petista Elmano de Freitas. O movimento reflete o isolamento político de Ciro dentro da esquerda e a tentativa de construir novas alianças com setores antes adversários.

A AGU ainda não comentou publicamente sobre a resposta de Ciro à ação. O caso deve prosseguir na Justiça Federal cearense, reacendendo os debates sobre os limites entre liberdade de expressão e responsabilização judicial por ataques a autoridades.

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