Após 15 anos de abandono, ex-Terra Encantada se tornará novo centro urbano na Barra

Projeto prevê praça pública, moradias e ciclovias

Quinze anos depois do fechamento definitivo do parque Terra Encantada, um dos símbolos da expansão da Barra da Tijuca nos anos 1990, o vasto terreno de 160 mil metros quadrados começa enfim a ganhar destino. Segundo O Globo, a área — hoje um grande descampado tomado pelo mato — foi fatiada em lotes e dará lugar a um conjunto de equipamentos públicos e privados que redesenha parte do bairro.

A primeira construção já em andamento é uma praça de nove mil metros quadrados, cujas obras começaram este mês. Além dela, o planejamento inclui um condomínio residencial e comercial, uma unidade de saúde e uma escola. As intervenções estarão conectadas por três novas ruas que vão ligar a malha interna da Barra à Avenida Ayrton Senna.

Cidade mais integrada

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante, afirma que a revisão do Plano Diretor, concluída há cerca de um ano, abriu caminho para que a região ganhasse novos usos e mais circulação de moradores e trabalhadores.
“Com o novo plano, invertemos a lógica de que as pessoas deveriam trabalhar numa região e voltar para a casa no fim do dia, deixando ambientes desertos”, diz o secretário.

O principal empreendimento privado do conjunto será o condomínio Park Avenue, da RJZ Cyrela, voltado para usos mistos. Segundo o diretor de incorporação da empresa, Carlos Bandeira, o projeto ainda está em elaboração. Não há previsão para lançamento, e detalhes como número de blocos, metragem das unidades e total de apartamentos seguem em estudo. A altura máxima dos prédios será limitada a 34 metros por causa da proximidade com o Aeroporto de Jacarepaguá.

Hospital e escola vão ancorar o novo polo

Enquanto o condomínio avança em ritmo mais lento, dois lotes comerciais já têm destino certo. Um deles receberá uma unidade de atendimento da Hapvida, que iniciou a terraplanagem. O outro será ocupado por uma escola do Grupo Tamandaré.

Bandeira explica o objetivo urbanístico da proposta:
“O principal objetivo é que esta região ganhe um novo espaço público de qualidade, com calçadas largas, conectada por 1,4 quilômetro de ciclovias, que seja frequentada pela população e por quem no futuro morar no Park Avenue.”

Obras viárias vão acabar com gargalo na Barra

As obras viárias também deverão aliviar o tráfego, tradicional gargalo da Barra. As novas ruas ligarão a área à Avenida Ayrton Senna pela Avenida José Silva Neto, permitindo rotas alternativas para pontos como Barra Shopping, Via Parque, Casa Shopping e Hospital Lourenço Jorge.

O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, reconhece o impacto positivo, mas alerta para os desafios.
“Qualquer intervenção que se faça de ampliação de pistas ou de acessos internos vai melhorar a fluidez. Por outro lado, o trânsito tende a aumentar”, diz ele, mencionando que novos lançamentos imobiliários devem chegar ao bairro. Uma possível solução, segundo o dirigente, seria investir em mergulhões para reduzir a necessidade de parar em sinais.

Detalhes da praça e dos novos serviços

A praça, que será o primeiro espaço entregue, terá instalações urbanas totalmente subterrâneas, evitando fios aparentes. O projeto inclui parcão, dois playgrounds, oito bicicletários para 200 vagas, estacionamento para 100 carros e paisagismo com palmeiras e jabuticabeiras.

O Grupo Tamandaré prevê a conclusão de sua unidade no primeiro semestre de 2027. Serão 31 salas de aula, voltadas ao ensino fundamental e médio, com turmas em meio turno e tempo integral.
“Essa unidade terá um processo seletivo porque queremos ser uma referência no bairro”, afirma o vice-diretor geral Antonio Henrique. A escola deve receber entre 700 e 800 alunos.

Já a Hapvida planeja um centro de urgência e emergência 24 horas, sem internações, com 38 consultórios e custo estimado em R$ 75 milhões.
“Nós escolhemos o local com base no perfil e no local de residência dos clientes da empresa”, diz o vice-presidente de infraestrutura, André Mello. A operadora, que anunciou investimento nacional de R$ 2 bilhões, destinará R$ 380 milhões ao Rio.

Um projeto que marcou época — e não deu certo

Inaugurado em 1998 com a ambição de reproduzir no Brasil o modelo dos parques temáticos americanos, o Terra Encantada nasceu com personagens próprios e prometia atrair até 20 mil visitantes por dia. A realidade foi outra: o público médio girava em torno de dois mil frequentadores. Em 2010, após dificuldades financeiras e o impacto da morte de uma visitante ao cair de uma montanha-russa, o parque fechou definitivamente.

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