Quando sentiu as dores abdominais que acabaram provocando uma internação de urgência, Jair Bolsonaro ligou chorando para o seu médico, que estava no exterior, e perguntou: “Estou morrendo, Macedo?”
O relato é do próprio médico, em entrevista ao Globo.
Na manhã de ontem, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, depois de tratar uma nova obstrução intyestinal. Desde 2018, ano que recebeu a facada na barriga, ele já passou por seis cirurgias. Desta vez, assim como a ocorrida há apenas seis meses, a cirurgia foi descartada. Mesmo assim, o caso “foi perigoso”, segundo o médico responsável pela internação do presidente, o cirurgião Antonio Luiz Macedo.
Leia alguns trechos da entrevista:
Como o senhor foi comunicado sobre a nova obstrução intestinal?
Ele me ligou chorando de dor. Falou “estou morrendo, Macedo. A coisa está ruim”. Mandei ele ir na hora para o Vila Nova Star, liguei para o Pedro (Pedro Henrique Loretti, diretor do hospital), que orquestrou tudo com muita competência. Quando cheguei, analisei a tomografia, os exames de sangue e toquei na barriga dele. Quando apalpei, vi que o intestino não estava rasgando e estava mais molinho. Foi muito bom. Porque qualquer cirurgia que for feita nessa região dificilmente vai durar menos de 12 horas.
O que causou a obstrução intestinal?
O camarão que ele consumiu na véspera. Ele não foi mastigado. No caso dele, não mastigar muito bem os alimentos, aumenta o risco do problema.
Hoje, logo depois da alta hospitalar, Bolsonaro disse que “vai ser difícil seguir” a dieta recomendada. E se ele não seguir?
O risco de nova obstrução é considerável.
O tipo de obstrução que acometeu o presidente desta vez foi mais delicado em relação à última internação há seis meses?
Foi menos grave. Ele se recuperou rapidamente. Mas não existe “pequena obstrução” no caso do presidente. O intestino está todo colado na parede devido a vários fatores — a própria facada, as cirurgias, os sangramentos e infecções já ocorridos. É sempre perigoso, portanto. Na hora que passamos a sonda nele, saiu um litro de suco gástrico do estômago. Se ele vomitasse o líquido entrava nos pulmões e ele morria.






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