Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro durante reuniões na sede do Partido Liberal revelam bastidores das articulações eleitorais da legenda para as eleições de 2026. O material, esquecido em uma sala após um encontro sobre a montagem de palanques estaduais, foi encontrado por jornalistas e mostra avaliações estratégicas, nomes cotados e entraves em colégios eleitorais considerados decisivos.
O conteúdo indica a tentativa de ampliar o controle do partido sobre alianças regionais e reforçar a viabilidade de uma candidatura presidencial ligada ao grupo bolsonarista. Procurado, o senador afirmou que os registros não representam decisões consolidadas, mas sim sugestões ouvidas ao longo das reuniões.
As anotações trazem um panorama das negociações em diferentes estados e reforçam o papel da direção nacional na definição das chapas, movimento que, segundo o próprio parlamentar, difere da estratégia adotada em 2022.
Minas vira ponto sensível na estratégia nacional
Entre os trechos mais sensíveis está a avaliação sobre a sucessão em Minas Gerais. O vice-governador Mateus Simões é citado como um nome que poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial, indicando preocupação com o impacto do desempenho estadual na disputa nacional.
Apontado como sucessor pelo governador Romeu Zema e apoiado pelo deputado Nikolas Ferreira, Simões aparece em meio a um cenário de possível tensionamento entre o PL e o comando do Executivo mineiro. Como alternativa, surge o nome do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, visto como ponte com o empresariado e com potencial de ampliar alianças.
O estado é tratado como peça-chave no xadrez eleitoral, especialmente diante da possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pressão por espaço em São Paulo
Em São Paulo, o foco das anotações é a vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas. O atual ocupante do cargo, Felício Ramuth, aparece associado a um cifrão, em meio a investigações sobre suposta lavagem de dinheiro no exterior — ele nega irregularidades.
A situação abriu espaço para a defesa do nome do presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado, aliado do comando nacional do PL. A mudança é vista como forma de garantir maior influência partidária no maior colégio eleitoral do país.
As notas também mencionam o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como possível candidato ao Senado, embora o próprio senador tenha demonstrado dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do irmão após a perda do mandato por faltas.
Negociações e controvérsias em outros estados
O documento registra ainda um apontamento envolvendo o deputado Marcos Pollon com a frase “pediu 15 mi p/ não ser candidato”. O parlamentar negou a informação, e Flávio disse ter apenas reproduzido um relato ouvido em reunião.
No Sul, o cenário aparece mais consolidado, com indicação de apoio ao deputado Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul e aos deputados Sanderson e Marcel van Hattem ao Senado.
Já no Piauí, o partido não indica candidato ao governo, mas lista o senador Ciro Nogueira como opção para a disputa ao Senado.
Alianças pragmáticas no Nordeste
Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto aparece como possível aliado, com a orientação de abrir diálogo antes de definir o palanque completo.
No Ceará, as notas citam um apoio ao ex-ministro Ciro Gomes ao governo estadual, com a indicação de presença do PL na chapa — movimento que contrasta com críticas feitas anteriormente por Michelle Bolsonaro.
Em Alagoas, o prefeito de Maceió João Henrique Caldas é tratado como peça central, com prazo para definição de conversa e possibilidades tanto para o governo quanto para o Senado. O nome do ex-presidente da Câmara Arthur Lira aparece acompanhado de uma interrogação.
Maior centralização nas decisões para 2026
Segundo o senador, as discussões sobre os palanques estaduais ocorrem há mais de um ano e nenhuma decisão será anunciada sem o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda estuda lançar até 11 candidaturas próprias aos governos estaduais.
A estratégia aponta para uma atuação mais direta da direção nacional na montagem das chapas, com o objetivo de alinhar as disputas regionais ao projeto presidencial e evitar palanques considerados frágeis em estados decisivos.
Veja as anotações em arte do jornal O Globo:







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