A Amil e a Dasa formalizaram a criação de uma joint venture que integrará 25 hospitais e centros de oncologia das duas empresas, totalizando 4,4 mil leitos. Essa aliança reforça a posição da nova entidade como a segunda maior rede de assistência médico-hospitalar privada no Brasil, atrás apenas da Rede D’Or.
A nova joint venture ajudará a Dasa a reduzir seu endividamento e permitirá à Amil lançar novos planos de saúde que incluam as unidades da nova parceria.
Dos 25 hospitais envolvidos, 14 são da Ímpar, a divisão hospitalar da Dasa, incluindo o Hospital Nove de Julho em São Paulo. Os outros 11 fazem parte da Rede Américas da Amil, incluindo o Hospital São Lucas no Rio de Janeiro. No entanto, 20 hospitais da Amil e três unidades da Dasa no Nordeste (Hospital da Bahia, São Domingos e AMO) não estão incluídos no acordo.
Este acordo é um componente crucial da estratégia da Dasa para reduzir sua dívida, que totaliza R$ 11 bilhões. No final de maio, a família Bueno, controladora da Dasa e fundadora da Amil, aportou R$ 1,5 bilhão como adiantamento para um aumento de capital já planejado. Com o novo negócio, a Dasa transferirá R$ 3,85 bilhões de sua dívida para a joint venture, potencialmente reduzindo seu débito para R$ 5,71 bilhões. Além disso, a Dasa planeja vender os três hospitais excluídos do acordo e implementar um plano de eficiência operacional para sanar o restante da dívida.
O controle da nova rede hospitalar será compartilhado igualmente entre Amil e Dasa. A joint venture tem o potencial de expandir, segundo comunicado da Dasa. Atualmente, a Rede D’Or possui 11,7 mil leitos, enquanto a nova entidade formada por Amil e Dasa começa com 4,4 mil leitos. Outras redes incluem Kora com 2 mil leitos e Mater Dei com 1,5 mil, conforme dados da Ativa Research.
Este movimento consolida a posição das duas empresas no mercado de saúde brasileiro e abre novas oportunidades para ambas em termos de oferta de serviços e expansão de mercado.
— O que vemos hoje não é apenas um movimento de consolidação, mas de verticalização. Os hospitais trazem muito lastro para os planos de saúde. É uma forma de fechar o ecossistema, trazer novas receitas, navegando o paciente por uma rede só — diz Leonardo Giusti, sócio da consultoria KPMG. — A melhora do custo vai depender de sinergias, podendo garantir acesso com custo mais adequado.
Em maio, com R$ 1,1 bilhão em investimento, Bradesco Seguros e Rede D’Or criaram uma empresa de hospitais que começa a operar no segundo semestre, contando com três filiais da marca São Luiz.
A joint venture de Amil e Dasa deve ampliar a competitividade no setor de hospitais e é notícia “negativa” para a Rede D’Or, avalia a Ativa Research.
A Amil já planeja lançar, mais adiante, novos planos de saúde que poderão incluir unidades da Ímpar. A operadora informou que seus beneficiários e os da Golden Cross têm preservado o acesso aos hospitais já previstos na cobertura dos planos de saúde contratados. A transação com a Dasa, porém, não dá acesso aos hospitais da parceira a clientes da Amil.
No fim do ano passado, a Amil foi vendida pelo americano UnitedHealth Group para José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp, em negócio de R$ 11 bilhões, sendo R$ 9 bilhões em passivo da operadora de saúde. Ele vem costurando grandes acordos para reestruturar a empresa, com foco em ganho de escala. Este mês, fechou um para integrar os beneficiários da Golden Cross a sua carteira.
Com informações de O Globo.





