Amazônia registra queda no desmatamento em 2026, enquanto Cerrado tem alta e mantém níveis preocupantes

Dados do Inpe mostram redução na floresta Amazônica e aumento preocupante na destruição do Cerrado em 2026

Os dados mais recentes de monitoramento ambiental no Brasil revelam um cenário contrastante entre os dois principais biomas do país, informa reportagem da Folha de S. Paulo. Enquanto a Amazônia apresentou queda no desmatamento no primeiro trimestre de 2026, o Cerrado registrou aumento nas áreas devastadas, mantendo níveis elevados de destruição.

Levantamento do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, aponta que a Amazônia perdeu 399,59 km² de cobertura florestal entre janeiro e março deste ano. O número representa uma redução de cerca de 7% em relação ao mesmo período de 2025 e configura o segundo menor índice já registrado para o trimestre desde o início da série histórica.

Queda na Amazônia e influência do período chuvoso

A série do Deter para a Amazônia começa em 2015/2016, e o único resultado inferior ao atual foi registrado em 2017, quando houve 233,64 km² de área desmatada. Especialistas destacam que os primeiros meses do ano tendem a apresentar números menores devido ao período de chuvas, que dificulta a ação de desmatadores.

Tradicionalmente, a maior pressão sobre a floresta ocorre nos meses mais secos, entre maio e setembro, quando as condições climáticas favorecem a derrubada e a queima da vegetação.

Mesmo assim, os dados acumulados indicam tendência de queda. Considerando o chamado “ano-desmatamento”, que vai de agosto a julho, o sistema Deter já aponta 1.590 km² de floresta derrubada até o momento, o que sugere redução de quase 30% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior.

Cerrado segue em alta

Em sentido oposto, o Cerrado apresentou crescimento nas taxas de desmatamento. Nos três primeiros meses de 2026, foram devastados 1.466,11 km² do bioma, um aumento de aproximadamente 15% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O resultado é o segundo pior da série histórica do Deter para o Cerrado, iniciada em 2017/2018, ficando atrás apenas do primeiro trimestre de 2024, quando a área desmatada alcançou 1.475,04 km².

Apesar de possuir cerca de metade da extensão territorial da Amazônia, o Cerrado enfrenta níveis elevados de pressão, especialmente devido à expansão de atividades agropecuárias. Ainda assim, o ano de 2025 havia registrado o menor índice de desmatamento do bioma em cinco anos, o que torna o avanço recente um sinal de alerta.

Indicadores e monitoramento

Os dados do Deter funcionam como alertas em tempo real para orientar ações de fiscalização e combate a crimes ambientais. Embora não sejam considerados números consolidados, permitem identificar tendências e direcionar políticas públicas.

A confirmação oficial das taxas de desmatamento ocorre por meio do sistema Prodes, também do Inpe, que apresenta dados consolidados e é utilizado como referência para planejamento e divulgação internacional. Esses números costumam ser divulgados no fim do ano, próximos às conferências do clima da ONU.

Expectativas para o ano

Com base nos dados preliminares, há expectativa de que o desmatamento na Amazônia atinja um dos menores níveis já registrados. A tendência de queda vem sendo observada desde os últimos anos e pode se consolidar dependendo do comportamento nos meses mais críticos.

Por outro lado, a situação do Cerrado permanece preocupante. A continuidade do aumento nas taxas de desmatamento pode comprometer o equilíbrio ambiental do bioma, considerado estratégico para a biodiversidade e para o regime hídrico do país.

O contraste entre os dois cenários reforça o desafio de manter políticas ambientais eficazes em diferentes regiões, com estratégias específicas para cada bioma e suas particularidades.

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