Os deputados franceses derrubaram nesta quarta-feira (4) o primeiro-ministro Michel Barnier, que teve o governo mais curto da Quinta República, que começou em 1958, apenas três meses. A moção de censura, aprovada por 331 votos a favor, representa uma aliança inédita entre a esquerda e a extrema direita, unindo forças para afastar Barnier, indicado pelo presidente Emmanuel Macron.
Barnier, que assumiu o cargo após as eleições parlamentares de junho, enfrentou forte oposição. A esquerda conquistou a maioria, mas não conseguiu formar um governo, o que levou Macron a nomear um primeiro-ministro de centro-direita, gerando descontentamento.
Orçamento apresentado por Barnier foi rejeitado
A aprovação da moção de censura se deu em um contexto de crescente insatisfação, especialmente após a rejeição do orçamento apresentado por Barnier, que buscava reduzir o déficit público e aumentar temporariamente impostos para grandes empresas.
A crise política na França é agravada por tensões econômicas, com o prêmio de risco da dívida francesa próximo ao da Grécia. A situação se complica ainda mais devido à instabilidade política na Alemanha e à proximidade do retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.
Macron, ao antecipar eleições, tentou conter o avanço da extrema direita, mas a nomeação de Barnier, que não participou do processo eleitoral, acabou desencadeando uma onda de protestos.
Com a queda de Barnier, o presidente Macron terá que decidir rapidamente se negocia com partidos majoritários ou indica um novo primeiro-ministro, o que pode resultar em mais agitação política. Informações indicam que Macron deve optar por nomear um novo premiê já no próximo fim de semana.
Moção de censura contra chefe de governo é a primeira em 6 décadas
A situação atual representa um marco na história política francesa, já que é a primeira vez em mais de 60 anos que um chefe de governo é derrubado por uma moção de censura no país.
Esta crise é um reflexo da fragmentação do Parlamento francês, que agora conta com três blocos — esquerda, centro-direita e extrema direita —, sem maioria clara. A Nova Frente Popular, coalizão de partidos de esquerda, embora tenha vencido as eleições, viu suas tentativas de aliança fracassarem. Barnier, ex-negociador do Brexit, tinha apoio limitado e sua saída marca uma nova era de incertezas políticas para a França.
Com informações do g1





