Alerta diplomático: governo Lula teme pacto de Bolsonaro e Trump para 2026

Dossiê entregue ao presidente brasileiro prevê apoio a movimentos de extrema direita na América Latina após vitória de republicano

O governo brasileiro está em alerta após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, temendo que essa nova conjuntura fortaleça a candidatura de Jair Bolsonaro em 2026 (que hoje está inelegível) e inspire ações de extrema direita na América Latina. Segundo um dossiê confidencial entregue a Lula pelo chanceler Mauro Vieira, essa vitória republicana é vista como um catalisador para o ressurgimento de alianças entre figuras de extrema direita nos EUA e no Brasil, informa Jamil Chade, do UOL.

No documento, a equipe diplomática destaca riscos iminentes à estabilidade institucional brasileira, mencionando que o bolsonarismo pode tentar desqualificar os eventos de 8 de janeiro de 2023, em que houve ataques às sedes dos três poderes em Brasília.

Dossiê elaborado por missão que foi aos Estados Unidos

Esse dossiê foi elaborado após uma missão diplomática a Washington, onde interlocutores de ambos os partidos americanos alertaram sobre as possíveis implicações de uma vitória de Trump para o Brasil. O documento destaca a possibilidade de cooperação informal entre aliados de Bolsonaro e o entorno de Trump, o que inclui a articulação de pressões contra instituições brasileiras.

Entre os nomes mencionados, está Eduardo Bolsonaro, deputado federal e um dos filhos do ex-presidente. Ele acompanhou a apuração ao lado da família Trump, o que foi interpretado como um sinal de aproximação estratégica entre o bolsonarismo e o núcleo republicano.

Outro ponto de alerta é a visita planejada de parlamentares bolsonaristas aos EUA, incluindo Marcel Van Harten e Bia Kicis, que visam fortalecer laços com a ala radical do Partido Republicano e amplificar pressões sobre as instituições brasileiras. A preocupação é que, com o apoio de figuras influentes como Elon Musk, haja uma tentativa de minar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal e de outras instituições, utilizando narrativas de retórica anti-institucional que poderiam justificar novos ataques.

Temor de que haja apoio a grupos contrários à esquerda na América Latina

O relatório também aponta que conselheiros de Trump elaboraram um plano para utilizar recursos de ajuda ao desenvolvimento americano a fim de apoiar grupos contrários à esquerda na América Latina. Essa estratégia incluiria um incentivo financeiro direto a grupos que compartilham das ideologias de direita, o que aumenta o temor de interferência nas dinâmicas políticas internas dos países vizinhos, incluindo o Brasil.

Além disso, o dossiê sugere que, caso Bolsonaro tente uma candidatura em 2026, ele poderia se beneficiar desse suporte informal dos EUA, mesmo estando inelegível. No momento, há em curso no Congresso brasileiro uma articulação política para aprovar uma anistia, o que devolveria os direitos políticos a Bolsonaro.

A diplomacia brasileira segue em alerta máximo com a possibilidade de que uma eventual gestão Trump 2024-2028 se torne um centro de apoio às movimentações da extrema direita na América Latina. O Planalto teme que essa aliança informal pressione ainda mais o sistema democrático brasileiro, aumentando a volatilidade política e social no período pré-eleitoral de 2026.

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