A Frente Parlamentar Pró-Ferrovias Fluminense, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realizará uma audiência pública para debater a situação da Supervia, empresa que opera as linhas de trens urbanos no Grande Rio. No ano passado, a concessionária anunciou que não tinha mais interesse em operar o sistema, alegando desequilíbrio econômico, e que devolveria a concessão. O anunciou acabou abrindo uma crise com o governo.
“A concessão da Supervia está com um grupo de empresas japonesas, cujas notícias que chegam apontam que elas não querem mais continuar. O trem está transportando, atualmente, 350 mil passageiros por dia, com atendimento de péssima qualidade e risco de acidentes”, frisou Luiz Paulo, coordenador da frente, lembrando que, caso haja uma nova licitação, será necessário uma nova modelagem.
No mês passado, foi divulgado que em quatro meses o governo terá um novo operador para os ramais. As tratativas para que a Supervia troque seu controlador avançaram e a previsão é que a situação tenha um desfecho em até quatro meses. A expectativa é que nesse período a Gumi Brasil, controladora da Supervia, passe o sistema para o governo. Posteriormente, o estado poderá repassar o controle acionário para outra empresa. Até lá, os ramais serão geridos pelo estado.
“O relatório da CPI dos Trens, realizada pela Alerj em 2022, já demonstrava que o serviço prestado era de má qualidade e que havia risco de acidentes”, lembra. A Supervia opera hoje cinco ramais e 104 estações, transportando cerca de 350 mil pessoas por dia em 201 trens.
O deputado também informou que terá uma reunião com o secretário estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Washington Reis, para tentar entender o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que será firmado sobre as obras da estação do metrô da Gávea. As informações já divulgadas indicam que o documento seria assinado em 1º de maio, tendo a participação do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e das concessionárias.
“A gente ainda não conseguiu entender se esse TAC é somente para manter a estação de pé, sem risco para o entorno, ou se também está prevista a ligação em direção a São Conrado”, acrescentou.
Estação Leopoldina
A Frente também irá acompanhar o projeto de restauração da Estação Leopoldina. Na reunião, o vice-presidente técnico-cultural de Memória e Preservação Ferroviária da Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer), Hélio Suevo Rodriguez, afirmou que o Fórum Permanente de Mobilidade Urbana, composto por diversas entidades, está elaborando dois relatórios técnicos, sendo um deles sobre o Complexo Barão de Mauá, do qual a estação faz parte.
“Estamos elaborando dois relatórios técnicos. Um de defesa do Complexo Barão de Mauá e outro contendo um conjunto de propostas para a retomada da ferrovia no Rio de Janeiro. Basicamente, o que a gente quer é que o complexo não perca a identidade ferroviária e que a faixa de domínio da estrada de ferro seja mantida”, pontuou Rodriguez.
O deputado Luiz Paulo comentou que, no dia 13/03, se reuniu com o secretário municipal de Coordenação Governamental da cidade do Rio, Jorge Arraes, para tratar do tema. O parlamentar enfatizou a importância de se preservar a conexão ferroviária com a Estação São Cristóvão, o que possibilitaria uma utilização mais ampla da estrutura, como, por exemplo, o embarque de passageiros para São Paulo.
“O secretário informou que designou um Grupo de Trabalho (GT) que terá 90 dias para apresentar a sugestão de utilização daquela área. É importantíssimo que mantenhamos viva a possibilidade de ligação da Leopoldina com a estação de São Cristóvão, para integrar com o metrô, trens e ônibus”, destacou o deputado.
Ligação Açu-GasLub
Durante a reunião, a frente também apresentou emendas, propostas pelo colegiado, aprovadas ao Orçamento. Para Luiz Paulo, a principal delas é a realização de um estudo para a implantação do trecho que conectará o Porto do Açu, em São João da Barra, ao Polo GasLub, em Itaboraí, da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118).
“Nós sugerimos sete estudos, dos quais as secretarias de Transportes e de Planejamento irão selecionar aqueles que forem mais viáveis para o Estado. No meu entendimento, o mais prioritário é a EF-118, ligando o Açu ao antigo Comperj, em Itaboraí”, finalizou o coordenador da frente.




