A posse dos deputados estaduais do Rio, ontem, teve o caráter festivo de todas as legislaturas, mas foi marcada também por intensas negociações e burburinhos a respeito da eleição do novo presidente da Casa, que será reazliada hoje.
No último fim de semana, a base do governo na Alerj se dividiu pela disputa do cargo mais importante da Casa. Integrantes do Partido Liberal (PL) e secretários do governo Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e Jair Bittencourt vão disputar a presidência.
A eleição do presidente será o primeiro teste do quebra-cabeça montado por Cláudio Castro em sua coalizão para se reeleger no ano passado. O secretariado estadual foi escolhido levando em consideração Bacellar no comando da Alerj. Mas Bittencourt desafiou o esquema planejado. A candidatura de última hora embaralhou os planos e criou forte expectativa.
Para apoiar Bittencourt, nomes do PL colocaram à disposição do Palácio Guanabara cargos e indicações. Além do próprio, que é secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, acompanharam o movimento Doutor Serginho (secretário de Ciência e Tecnologia) e o presidente estadual do PL, Altineu Cortes, que escolheu nomes na pasta da Educação.
Alguns “bombeiros” tentaram, sem êxito, ao longo da semana, unir as duas chapas. O núcleo duro de Bacellar crê que, em caso de vitória de seu candidato, a ala derrotada perca o espaço conquistado no governo. Mas a conta não é simples. A grupo dissidente garante ter apoio de nove dos 17 deputados eleitos pelo PL. Se esse número se confirmar, mesmo em caso de derrota, Bittencourt sai da disputa fortalecido porque conquistará a liderança do partido, o que dá a ele o poder de escolher quem vai assumir cargos nas comissões.
— A Alerj é uma Casa plural e a necessidade da democracia pede o contraditório. Por isso, é importante a outra chapa. Encerrada a votação, não tem retaliação nem revanchismo. Quem ganhar tem de entender que é presidente de mais 69 colegas parlamentares, que precisa dar todo suporte ao governador e cobrar ações efetivas para a vitória do povo do Rio — afirmou Bacellar.
— Temos que ter uma assembleia democrática e independente. É um espaço de debate e isso é o ponto máximo a ser conservado. Uns são situação, outros oposição, uns de direita, outros de esquerda, mas o respeito e a independência para o exercício do mandato são fundamentais — avaliou Bittencourt.
Em seu discurso ontem durante a posse, o governador Cláudio Castro agradeceu aos deputados a aprovação de leis que foram importantes para seu primeiro mandato e não falou diretamente sobre as eleições, mas disse que sempre atendeu todos os partidos. Nos últimos dias, Cláudio Castro pediu apoio para eleger Bacellar: ele se reuniu com 42 deputados, que teriam se comprometido a votar em seu aliado.
— Quem conviveu comigo nesses dois anos e meio sabe do meu profundo respeito a essa Casa. Da minha parte, reforço minha disposição e meu empenho de conversar com todos os partidos, independentemente do espectro partidário. Foi a união de forças da Alerj que possibilitou o avanço de políticas públicas — disse.
Na Alerj, Castro não conversou com deputados. A tarefa do corpo a corpo ficou com Rodrigo Abel (secretário de Gabinete), Chico Machado (líder do Governo na assembleia) e Raphael Thompson (subsecretário de Governo). O último foi visto no fim da posse, com um adesivo de apoio a Bacellar colado no terno, cumprimentando os parlamentares.
— O voto é secreto — se limitou a dizer um deputado do PL ao passar por Thompson.
Os dois lados admitiam ontem que a votação pode ser apertada até porque a esquerda — fiel da balança nessa disputa — está fazendo mistério. As bancadas do PSOL e do PT devem fechar questão no último minuto. O PSD anunciou apoio à chapa alternativa com cinco nomes, mas o deputado Munir Neto votará em Bacellar. A guerra por votos teve até adesivaço. Bacellar colava um “santinho” com seu nome nos ternos dos aliados durante a posse. Também teve claque nas galerias.
(Com informações do Globo on-line)
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