Com 35 mil metros quadrados encravado no coração do Leblon, um dos últimos terrenos disponíveis para construir na Zona Sul do Rio pode ter seu destino selado esta semana.
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai decidir na próxima quarta-feira em votação final se autoriza o governo do Estado a vender uma série de imóveis para fazer caixa. O mais valorizado e também motivo de controvérsia entre associações de moradores da Zona Sul e parlamentares de oposição sobre a conveniência de se desfazer do espaço envolve o terreno da Avenida Visconde de Albuquerque ocupado hoje parcialmente pelo 23º BPM (Leblon) e por circo. Em 2018, o então governador Wilson Witzel estimou que o espaço valesse pelo menos R$ 450 milhões.
Ao todo, a lista relaciona cerca de 60 imóveis. Além do batalhão do Leblon, constam um apartamento na Avenida Atlântica, além de lojas e salas comerciais no Centro, Tijuca, Laranjeiras entre outros bairros. Antes da votação, haverá na segunda-feira uma audiência pública para discutir o projeto, convocada pelo presidente da Comissão de Tributação, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD). Luiz Paulo antecipou que é contra a venda do imóvel. E apresentou uma emenda, que será debatida em plenário, para retirar o terreno da relação.
— O Leblon já tem espigões demais. A Zona Sul tem poucas áreas verdes. Aquele terreno serve como um pulmão, que serve de respiro em meio a tantas áreas construídas — disse Luiz Paulo.
Segundo estudos do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), a legislação que disciplina construções no Leblon, no local seria permitido prédios com até 11 andares (34 metros) com 122,5 mil metros de área construída (equivalente a 3,5 a área total do terreno). A proposta de revisão do Plano Diretor em tramitação na Câmara do Rio, mantém os parâmetros.
Por sua vez, a liberação do imóvel para o mercado imobiliário é bem vista pelo setor:
— Com as questões legais resolvidas, essa área é objeto de desejo. Na Zona Sul, não há mais áreas desse tamanho disponíveis. E não há problemas que a Zona Sul se adense mais — diz Rubens Vasconcellos, diretor da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), que estima que o metro quadrado na área deva valer entre R$ 20 mil e R$ 22 mil.
No pedido encaminhado à Alerj para autorizar as vendas dos imóveis, o governador Claudio Castro diz que o estado é proprietário de cerca de 4 mil imóveis e a gestão desse patrimônio é um desafio, em função das despesas criadas para mantê-los em bom estado e protegido de invasões. A situação, reconhece Castro, não é diferente da vivenciada por outros estados. Mas no caso do Rio, ainda há o fato que o Estado vive uma situação de calamidade financeira desde 2016. Isso, argumentou Castro, reforça a necessidade de fazer uma melhor gestão dos recursos.






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