A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta quinta-feira (05), a concessão da Medalha Tiradentes à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.
A homenagem integra um pacote de resoluções votado pelo Parlamento fluminense que concede honrarias a diferentes personalidades. A iniciativa partiu do deputado estadual Átila Nunes (PSD).
Ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela, Corina era uma das principais lideranças da oposição ao governo de Nicolás Maduro. Nascida em Caracas em 7 de outubro de 1967, ela foi uma das fundadoras da organização Súmate, instituição voltada ao monitoramento eleitoral e à promoção da participação democrática na Venezuela.
No último fim de semana, Corina afirmou que pretende retornar à Venezuela, após cerca de 80 dias de exílio e de sua fuga para Oslo, na Noruega, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ela disse que voltará a um país atualmente governado por Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência de forma interina após a captura de Maduro durante uma incursão militar americana.
Atuação política e parlamentar
Corina foi eleita deputada da Assembleia Nacional em 2010, obtendo uma das maiores votações entre os candidatos da oposição. Em 2014, seu mandato foi cassado pelo governo de Maduro após sua participação em sessões da Organização dos Estados Americanos (OEA), nas quais denunciou violações de direitos humanos no país.
Segundo a justificativa apresentada no projeto aprovado pela Assembleia fluminense, a cassação é apontada por organismos internacionais como uma retaliação política.
Liderança na oposição venezuelana
Corina é fundadora do movimento político Vente Venezuela, partido de oposição com atuação nacional. A organização defende propostas como reformas institucionais, combate à corrupção e mudanças na política econômica do país.
Em 2023, Machado venceu as primárias da Plataforma Unitaria, coalizão de oposição venezuelana, com cerca de 92% dos votos. No mesmo ano, foi declarada inelegível por 15 anos por decisão das autoridades venezuelanas, o que a impediu de disputar a eleição presidencial.
Apesar da restrição, continuou atuando politicamente e apoiou a candidatura de Edmundo González nas eleições de 2024. Após o pleito e a intensificação da repressão política, ela passou mais de um ano vivendo na clandestinidade dentro da Venezuela, até deixar o país em uma operação sigilosa no final de 2025 para participar da cerimônia do Nobel da Paz em Oslo
Justificativa da homenagem
Na justificativa da proposta, o deputado Átila Nunes afirmou que a concessão da Medalha Tiradentes busca reconhecer a atuação política e a trajetória pública da líder venezuelana.
O texto destaca sua participação em iniciativas voltadas à defesa da democracia, à atuação em organismos internacionais e à mobilização política dentro da oposição venezuelana.






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