Alerj aprova Medalha Tiradentes para Vini Jr. e medidas contra o racismo em estádios no Estado do Rio

Os deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovaram, na sessão plenária desta terça-feira (06/06), algumas medidas contra o racismo para os estádios de futebol no Estado do Rio. Além da concessão da Medalha Tiradentes ao jogador Vinícius Júnior, os parlamentares também deram parecer favorável a projetos de lei que cria a Política Estadual Vini…

Os deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovaram, na sessão plenária desta terça-feira (06/06), algumas medidas contra o racismo para os estádios de futebol no Estado do Rio. Além da concessão da Medalha Tiradentes ao jogador Vinícius Júnior, os parlamentares também deram parecer favorável a projetos de lei que cria a Política Estadual Vini Jr. De Combate ao Racismo, em discussão única, e o que institui o dia 07 de abril como Dia da Resposta Histórica Contra o Racismo no Futebol, em segunda discussão.  

As ações fazem parte de uma mobilização de diversos deputados da Casa, de diferentes matizes ideológicas, após uma onda de sucessivos ataques racistas contra o atacante da seleção brasileira em partidas na Europa. A política Vini Jr., por exemplo, determina que as partidas sejam interrompidas quando houver qualquer denúncia ou manifestação racista. O jogo ficará parado pelo tempo que o organizador do evento ou o delegado da partida julgar necessário e enquanto não cessarem as atitudes reconhecidamente racistas.

Em caso de atos praticados por grupos ou de forma reincidente, será facultativo o encerramento do jogo, possibilidade que deverá ser informada ao árbitro. As medidas fazem parte do “Protocolo de Combate ao Racismo”, em que o cidadão poderá informar condutas racistas a qualquer autoridade presente no estádio.

A partir daí, a denúncia deverá ser encaminhada à organização do evento e às autoridades, incluindo a Comissão de Combate às Discriminações da Alerj e a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

“Esse protocolo visa a possibilidade das autoridades esportivas de eventos realizados no estado do Rio de Janeiro terem a obrigatoriedade de seguir um rito que propiciará a não anuência do poder público com práticas racistas”, comentou o autor do projeto, deputado Prof. Josemar (PSol). 

A política também prevê a divulgação de campanhas educativas nos intervalos das partidas, preferencialmente em telões e alto-falantes, e de políticas públicas para atendimento das vítimas de racismo.

Dia da Resposta Histórica

Já o texto que institui o dia 07 de abril como Dia da Resposta Histórica Contra o Racismo no Futebol, de autoria de Verônica Lima (PT) e Felipinho Ravis (Solidariedade), faz alusão à manifestação do Vasco que, naquele dia em 1924, teve a inscrição do clube no campeonato de futebol recusada pela Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). 

A entidade só permitiria a filiação caso 12 jogadores, negros e operários, fossem dispensados sob a acusação de que teriam “profissão duvidosa” e que não apresentavam “condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”. 

“Tanto a Medalha quanto o projeto é uma forma de darmos uma resposta no combate ao racismo. O Vinicius Júnior é um vencedor dentro e fora de campo. É um exemplo para para todos os jovens que se espalhem nele. Tem enfrentado tudo com muita altivez.”, disse Verônica Lima. 

Entenda o caso do Vini Jr

Durante o jogo entre Real Madrid e Valencia, no Estádio Mestalla, em maio, a torcida valenciana gritou insultos como “macaco” direcionados a Vini Jr, jogador do Real Madrid. A partida foi interrompida e até o locutor do estádio teve que pedir para que torcedores parassem de insultar o atacante para que o jogo pudesse ser reiniciado.

Já nos minutos finais da partida, o goleiro do Valência, Mamardashvili, partiu para cima de Vini Jr, iniciando uma confusão generalizada. Vinícius sofreu uma espécie de ‘mata-leão’ do jogador Hugo Duro, foi empurrado e, ao reagir, acabou sendo expulso após análise do VAR. Nada aconteceu com os jogadores do Valencia.

Entre os outros casos de racismo envolvendo o atleta brasileiro na Espanha, um de grande repercussão ocorreu em janeiro deste ano, quando torcedores do Atlético de Madrid penduraram em uma ponte da capital espanhola um boneco com a camisa do Vinícius Júnior e uma faixa escrita “Madri odeia o Real”.

Os dois projetos seguem agora para o governador Cláudio Castro, que tem 15 dias para sancionar ou vetar os textos. 

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