Alcolumbre negocia gabinetes e apartamentos funcionais em busca de votos para acabar com escala 6×1

Senadores relatam negociações por espaços privilegiados no Congresso em troca de apoio à PEC, considerada estratégica para Lula na reta final da disputa presidencial

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A articulação para acabar com a escala de trabalho 6×1 ganhou um novo capítulo nos bastidores do Senado. Em busca dos votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria negociando a distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais para a próxima legislatura.

As informações foram divulgadas pela coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, com base em relatos de senadores de diferentes partidos. Segundo os parlamentares ouvidos, as tratativas envolvem a possibilidade de ocupar gabinetes maiores e em posições consideradas privilegiadas dentro do Senado, além da destinação de imóveis funcionais.

As negociações ocorreriam às vésperas da votação da proposta, prevista para esta quarta-feira (14), no plenário da Casa. A PEC é uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha pela reeleição.

Gabinetes e imóveis entram nas articulações

De acordo com os relatos publicados pela coluna, parlamentares estariam condicionando o apoio à mudança na jornada de trabalho à obtenção de melhores instalações na próxima legislatura, que terá início em fevereiro de 2027.

A distribuição dos espaços físicos no Senado é um tema de interesse dos parlamentares, especialmente após as eleições, quando ocorre a reorganização dos gabinetes e das estruturas administrativas da Casa.

Nesse cenário, Alcolumbre estaria utilizando a influência que exerce sobre a administração do Senado para ampliar a base de apoio à proposta. A reportagem original, porém, não identifica os senadores envolvidos nem apresenta documentos que comprovem eventuais acordos.

Apesar das articulações, o presidente do Senado já sinalizou a interlocutores que dispõe dos votos necessários para aprovar a PEC.

Fim da escala 6×1 vira aposta eleitoral de Lula

A votação ocorre em um momento decisivo da corrida presidencial. Lula enfrenta Flávio Bolsonaro no segundo turno e aposta na aprovação da proposta para fortalecer seu discurso em defesa dos trabalhadores.

O fim da escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, tornou-se uma das principais pautas trabalhistas do debate político nacional.

A eventual aprovação no Senado representaria uma vitória política para o governo federal, embora a alteração constitucional ainda dependa do cumprimento das demais etapas de tramitação.

Para ser aprovada em cada turno no Senado, uma PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores.

Reeleição no Senado também está em jogo

Além do impacto eleitoral para Lula, a articulação envolve os interesses políticos do próprio Alcolumbre.

O senador pretende permanecer no comando da Casa na próxima legislatura, e uma eventual vitória de Lula é apontada, nos bastidores políticos, como fundamental para viabilizar esse objetivo.

A avaliação é de que o resultado da eleição presidencial poderá influenciar diretamente a formação de alianças e a disputa pelo controle do Senado a partir de 2027.

Dessa forma, a votação sobre a jornada de trabalho ganhou uma dimensão que ultrapassa as relações trabalhistas, envolvendo também a sucessão no comando do Congresso e as estratégias políticas para o segundo turno presidencial.

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