Airbus faz recall global do A320 por falha causada por radiação solar

Fabricante identificou risco de corrupção de dados nos controles de voo; aéreas brasileiras dizem que não são afetadas com a medida

A Airbus anunciou um recall global envolvendo aeronaves da família A320, modelo mais vendido da fabricante europeia, depois de detectar um potencial risco no funcionamento dos controles de voo. A medida decorre de um incidente recente analisado pela empresa. Segundo a Airbus, um “número significativo” de aviões atualmente em operação pode estar vulnerável.

A fabricante explicou que a investigação do episódio mostrou que a exposição intensa à radiação solar foi capaz de corromper dados essenciais ao sistema de controle da aeronave. Diante do risco, a Airbus solicitou uma ação imediata das companhias por meio de uma Transmissão de Alerta aos Operadores (AOT), mecanismo usado em situações que exigem providências urgentes para manter o padrão de segurança de voo.

Recomendação deve gerar diretiva de emergência
Nos próximos dias, a AOT será incorporada a uma Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). A empresa reconheceu que as medidas podem provocar impactos operacionais e pediu desculpas às companhias aéreas, afirmando que seguirá monitorando a aplicação das correções necessárias em software e hardware.

O recall exige a instalação de proteções adicionais nos sistemas, que variam de acordo com o lote da aeronave e o nível de modernização da cabine. A Airbus não divulgou detalhes sobre o incidente que motivou a análise, mas reforçou que a ação preventiva visa evitar qualquer risco em voo.

Companhias brasileiras não serão afetadas
No Brasil, Azul e Latam operam aeronaves da família A320, porém ambas afirmaram que os modelos utilizados no país não estão incluídos no recall. A Azul informou que “a operação da frota segue dentro da normalidade”. Já a Latam explicou que apenas unidades específicas das afiliadas no Chile, Colômbia e Peru estão contempladas pela orientação da fabricante, e que os aviões que voam no Brasil e no Equador não requerem modificações.

As subsidiárias afetadas da Latam já iniciaram as atualizações obrigatórias e, em nota, lamentaram eventuais transtornos aos passageiros. A companhia garantiu que quem tiver seu itinerário alterado será contatado diretamente e receberá alternativas de viagem. A empresa também afirmou que trabalha para “minimizar os impactos e oferecer soluções adaptadas às necessidades de cada passageiro”.

Avianca tem impactos mais severos
Entre as latino-americanas, a situação mais delicada é a da Avianca. A companhia colombiana informou que mais de 70% de sua frota será impactada e que as atualizações exigidas causarão “interrupções significativas” nas operações pelos próximos dez dias. Para reduzir o impacto, a empresa suspendeu temporariamente as vendas de passagens até 8 de dezembro, medida destinada a facilitar a reacomodação de clientes em voos disponíveis.

Nos Estados Unidos, a American Airlines também confirmou atrasos e ajustes operacionais. Segundo a aérea, cerca de 340 aeronaves do modelo A320 passaram pelo processo de atualização de software, que deve ser concluído entre hoje e amanhã. A empresa disse focar em limitar cancelamentos enquanto as equipes técnicas finalizam as modificações.

A Airbus reforçou que tratar problemas de maneira preventiva faz parte do padrão internacional de segurança, e que a atualização dos sistemas elimina o risco identificado.

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