A situação desesperadora na Faixa de Gaza não para de se agravar. A Agência das Organizações das Nações Unidas para a Palestina (UNRWA) será forçada a encerrar suas atividades no enclave palestino em 48 horas devido à falta de combustível. A ONU já perdeu mais de cem funcionários desde o início do conflito, devido aos ataques do Exército de Israel.
Nesta segunda (13), escritórios da ONU ao redor do mundo baixaram suas bandeiras a meio mastro e respeitaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
O comunicado sobre a suspensão das operações foi feito pelo diretor da UNRWA em Gaza, Thomas White, através de uma publicação na rede social X (antigo Twitter). Apesar de receber ajuda humanitária diariamente — um valor insuficiente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a região não recebe o produto desde o início da guerra, o que afeta padarias, ambulâncias, usinas dessalinizadoras e grandes hospitais.
“A operação humanitária em Gaza será paralisada nas próximas 48 horas, pois não se permite a entrada de combustível em Gaza”, escreveu White.
Além da declaração, o diretor fez outros apelos nas redes. Ele contou que dois dos principais fornecedores de água da organização suspenderam suas atividades devido à falta de combustível. Em um outro post, disse que Gaza vive um dilema entre escolher usar o combustível em hospitais ou para produção de água potável, lamentando: “Infelizmente, isso não é uma situação hipotética”.
White afirmou ainda que mesmo um reservatório ao qual tinham acesso, na fronteira entre o enclave e o Egito, cedido após intensas negociações com o governo israelense, está vazio. No fim de outubro, a agência já havia alertado que, pela primeira vez em mais de 70 anos, seria obrigada a interromper o seu trabalho no enclave devido à falta de combustível.
A paralisação das atividades da UNRWA poderia significar um agravo sem precedentes na situação humanitária em Gaza. Sob controle terrestre, marítimo e aéreo severo de Israel desde 2007, o enclave tornou-se altamente dependente da ajuda de organizações internacionais. A agência, criada em 1949 pela Assembleia Geral da ONU, abriga por exemplo um quarto dos mais de 2 milhões de habitantes da região e emprega 30 mil pessoas em seus escritórios, a grande maioria refugiados palestinos.
Combustível em Gaza
Israel concordou, após um acordo mediado pelos Estados Unidos, com a entrada de pequenas quantidades de ajuda humanitária em Gaza, mas continua impedindo a entrada de combustível sob a justificativa de que seria explorado pelo Hamas para fabricar armas e explosivos. Sem combustível, hospitais têm sua capacidade reduzida, a circulação de ambulâncias fica prejudicada, a produção de água potável é suspensa e até padarias podem fechar as portas.
Neste domingo, as Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) informaram terem tentado enviar 300 litros de combustível para o maior e principal hospital de Gaza, o Hospital al-Shifa, que vive situação caótica. A oferta teria sido negada pelo Hamas, que controla Gaza desde 2007, segundo o país.
A acusação foi rebatida pelo diretor do al-Shifa, Mohammad Abu Salmiya, que classificou as alegações israelenses como mentirosas e disse a jornalistas que os 300 litros supostamente oferecidos teriam capacidade de alimentar os geradores por “não mais do que um quarto de hora”.
Com informações de O Globo
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