Uma das maiores operadoras de afiliadas da rede estadunidense ABC anunciou nesta segunda-feira (22) que não transmitirá o talk show “Jimmy Kimmel Live!”, mesmo após o fim da suspensão determinada pela própria emissora. O canal aberto da Disney havia confirmado que o programa retornaria ao ar nesta terça-feira (23).
A decisão de manter o boicote partiu do Sinclair Broadcast Group, conglomerado que controla 30 afiliadas da ABC nos Estados Unidos. A empresa já havia se posicionado contra o apresentador após a repercussão de declarações feitas durante a abertura de um dos episódios, em que Kimmel comentou sobre o assassinato do ativista de extrema direita Charlie Kirk.
Afiliada exige desculpas públicas
Em nota divulgada à imprensa, o vice-presidente do Sinclair Broadcast Group, Jason Smith, afirmou que a postura do apresentador não condiz com os padrões esperados da rede de transmissão. “As declarações do senhor Kimmel foram inapropriadas e profundamente insensíveis em um momento críticos de nosso país”, disse Smith, em declaração reproduzida pelo canal Fox News.
A empresa também condicionou o retorno do programa às suas afiliadas a um pedido de desculpas públicas de Kimmel e a uma doação à família de Charlie Kirk e à fundação criada pelo ativista. “Sinclair não planeja devolver ‘Jimmy Kimmel Live!’ ao ar até que tenhamos a confiança de que passos apropriados foram tomados para manter os padrões que esperamos de uma plataforma de transmissão nacional”, afirmou Smith.
Enquanto isso, os canais sob controle do grupo planejam exibir programas de notícias no lugar do talk show.
A polêmica declaração
O impasse começou em 15 de setembro, quando, em um monólogo, Jimmy Kimmel ironizou o envolvimento político do suspeito de assassinar Charlie Kirk, mesmo antes da divulgação oficial de informações sobre o caso. “A turma do MAGA está desesperada para caracterizar esse garoto que matou Charlie Kirk como qualquer coisa que não seja um deles e fazendo de tudo para tirar proveito político disso”, declarou o apresentador. Ele completou: “Entre uma acusação e outra, também houve luto.”
As falas rapidamente se espalharam pelas redes sociais e foram interpretadas por críticos como uma tentativa de associar o crime ao movimento pró-Donald Trump.
O caso Charlie Kirk
Charlie Kirk, de 31 anos, foi morto no dia 10 de setembro durante um evento na Universidade Utah Valley. Considerado uma das principais vozes da extrema direita estadunidense e aliado próximo ao presidente Donald Trump, ele fundou organizações voltadas ao engajamento político da extrema direita nos Estados Unidos.
O suspeito do crime, Tyler Robinson, foi preso dois dias depois, em 12 de setembro, e indiciado por homicídio qualificado. A morte de Kirk gerou grande comoção e abriu um novo debate sobre liberdade de expressão, polarização política e os limites do discurso público nos EUA sob a administração Trump.






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