O debate sobre o futuro dos aeroportos Santos Dumont e Galeão, no Rio de Janeiro, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (14). Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), anunciou que o Santos Dumont terá restrições de voos. A medida busca direcionar um fluxo maior de aeronaves e passageiros para o Galeão, que amargou processo de esvaziamento.
Menos de 20 quilômetros separam o Santos Dumont do Galeão. Voltado para a aviação doméstica, o Santos Dumont fica no centro do Rio. Está ao lado de negócios instalados na região e mais próximo de pontos turísticos da zona sul, como Pão de Açúcar e praias de Copacabana e Ipanema.
Sua infraestrutura, porém, é menor do que a do Galeão, que recebe voos nacionais e internacionais. O Galeão fica na Ilha do Governador, na zona norte da capital fluminense, e também exerce papel relevante no transporte de cargas do estado.
O Santos Dumont é administrado pela estatal Infraero. O Galeão, por sua vez, está nas mãos da concessionária RIOgaleão, que é controlada pela Changi, de Singapura.
Paes afirmou nesta quarta que Lula concordou em restringir o tráfego aéreo no Santos Dumont. Segundo o prefeito, o aeroporto central passará a ser usado somente para a ponte aérea com Congonhas, em São Paulo, e para as conexões com Brasília. Assim, os demais voos domésticos devem ser deslocados para o Galeão. Atualmente, o Santos Dumont conecta o Rio a diferentes regiões do país.
Conforme Paes, Lula também concordou com uma medida para impedir que turistas que vão do Rio para o exterior possam já fazer check-in no Santos Dumont quando o voo para a cidade estrangeira partir de outra cidade, como São Paulo. Atualmente, turistas realizam o check-in do voo internacional no terminal carioca, mas na sequência embarcam para outro destino no Brasil e só então viajam para outros países.
Essa mudança teria o objetivo de estimular a operação internacional do Galeão. Com a medida em vigor, se um turista que vai para o exterior quiser sair do Santos Dumont, precisará fazer uma viagem até Congonhas ou Brasília. Em seguida, terá de realizar novo check-in e despachar as bagagens. Ainda não há uma confirmação sobre prazos. Pela projeção de Paes, as restrições poderiam ser adotadas a partir de janeiro.
A redução do fluxo de passageiros no Santos Dumont é uma pauta que uniu lideranças políticas e empresariais do Rio. A avaliação é de que há uma falta de coordenação com o Galeão. Por essa lógica, existiria uma relação predatória entre os terminais. Após a crise gerada pela pandemia, a retomada da movimentação ocorreu de maneira mais rápida no Santos Dumont do que no Galeão.
Em 2022, o aeroporto doméstico recebeu mais de 10 milhões de passageiros, entre embarques e desembarques, segundo dados da Infraero. O contingente estava próximo de 9 milhões no pré-pandemia.
O Galeão, por sua vez, somou menos de 6 milhões de passageiros pagos em 2022, conforme a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Ao longo da década passada, o terminal chegou a receber mais de 16 milhões de viajantes por ano.
Diante desse contexto, as restrições no Santos Dumont seriam uma tentativa de levar mais voos para o Galeão. Na visão de lideranças locais, com poucas conexões domésticas, o terminal da Ilha do Governador não consegue atrair voos internacionais.
Com informações da Folha de S. Paulo.





