Uma criança morreu e outras três pessoas ficaram feridas após um ataque brutal em uma escola municipal de Estação, no norte do Rio Grande do Sul, na manhã desta terça-feira (8). A informação foi publicada pelo jornal.
O agressor, um adolescente de 16 anos, teria se apresentado na escola dizendo que queria entregar um currículo. Com autorização para entrar no prédio, ele lançou bombinhas no chão para assustar os alunos e, em seguida, invadiu uma sala de aula portando uma faca. O menino Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos, foi atingido no tórax e não resistiu aos ferimentos. Outras duas crianças sofreram cortes leves na cabeça, e uma professora também foi esfaqueada.
Como informa O Globo, o prefeito Geverson Zimmermann descreveu o clima de horror vivido pela comunidade. “A gente não está só comovido, está apavorado. Isso é algo totalmente inesperado. Município pequeno, que conhece todo mundo — inclusive o agressor e sua família”, disse em entrevista à Rádio Uirapuru. Ele revelou que o adolescente havia passado por atendimento psicológico na véspera do crime. “Diz que ontem ele esteve com o psicólogo ou psiquiatra. Nunca imaginamos uma atitude dessas”, acrescentou.
As vítimas feridas foram levadas ao Hospital São Roque, em Getúlio Vargas. Uma das crianças e a professora foram transferidas para o Hospital Santa Terezinha, em Erechim, por conta da gravidade dos ferimentos e melhor estrutura da unidade. As aulas na rede municipal estão suspensas por tempo indeterminado.
Brigada Militar prendeu assassino
A Brigada Militar foi acionada imediatamente após o ataque e apreendeu o adolescente no local. Em nota, a corporação informou que permanece à disposição da comunidade escolar e das famílias atingidas, “oferecendo suporte institucional e se somando aos esforços das demais forças de segurança no enfrentamento e prevenção da violência”.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se manifestou nas redes sociais e determinou prioridade na apuração dos fatos. “O que aconteceu não pode ser naturalizado, relativizado ou esquecido”, escreveu no X (antigo Twitter).
Já o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou o envio de uma equipe de psicólogos do Núcleo de Resposta e Reconstrução de Comunidades Escolares para dar suporte aos profissionais e estudantes de Estação. “Seguimos em articulação com o Ministério da Justiça e com as autoridades locais, reafirmando nosso compromisso com a vida, a paz e a proteção das comunidades escolares”, disse o ministro.
Em nota, a prefeitura de Estação lamentou profundamente a morte de Vitor André, aluno do 3º ano da Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi. “Vitor era um querido estudante e sua partida deixa uma imensa lacuna em nossa comunidade escolar. Desejamos que Deus conceda força e consolo para superarmos este momento tão difícil”, diz o comunicado.
Na semana passada, entrou em vigor a lei que torna ataques a escolas crimes hediondos. A legislação agrava penas previstas no Código Penal e amplia os critérios de agravamento quando as vítimas são pessoas com deficiência ou quando há relação de autoridade entre agressor e vítima.
A Polícia Civil investiga o caso e colhe depoimentos para entender a motivação do ataque. Até o momento, não há informações sobre qualquer histórico de violência ou ameaças prévias por parte do adolescente.
O município de Estação, com pouco mais de 6 mil habitantes, segue em luto, abalado por uma tragédia que rompeu a rotina de tranquilidade e expôs as fragilidades emocionais e estruturais da comunidade escolar.





