Ação investiga desvio na Educação do DF e mira deputado Hermeto

MPDFT e PCDF apuram suposto esquema de R$ 46 milhões envolvendo aluguel de escola pública

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Blackboard para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Segundo os investigadores, os valores envolvidos podem ultrapassar R$ 46 milhões.

Entre os alvos de mandados de busca e apreensão está o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

As diligências foram realizadas na sede da Secretaria de Educação, na Câmara Legislativa e em endereços ligados ao parlamentar.

Investigação sobre aluguel de escola

A apuração tem como ponto central a locação de um imóvel no chamado Setor de Motéis, no Distrito Federal, que teria sido utilizado para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o contrato de aluguel teria sido firmado por meio de dispensa irregular de licitação e com valores considerados superfaturados.

O colégio original teria sido fechado para reforma por apresentar condições precárias. Enquanto isso, os estudantes foram transferidos para o prédio alugado.

Uso de emendas parlamentares

Segundo a investigação, parte dos recursos usados para custear a locação do imóvel teria origem em emendas parlamentares destinadas por Hermeto.

A região da Candangolândia, onde ficam os imóveis envolvidos na investigação, é considerada base eleitoral do deputado, que já ocupou o cargo de administrador regional da localidade.

Os investigadores apontam que o poder público gastou mais de R$ 19 milhões em aluguéis ao longo de cinco anos, valor superior ao que seria necessário para a reforma da escola original.

Contrato com empresa privada

De acordo com o MPDFT, o imóvel alugado pertence à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda., responsável pela operação do A2 Motel. O sócio-administrador da empresa, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, também é investigado e teria sido beneficiário direto do suposto esquema.

Os investigadores afirmam que Hermeto teria exercido papel decisivo na articulação do contrato, intermediando contatos com o então secretário de Educação João Pedro Ferraz dos Passos.

Mandados e crimes investigados

A operação é conduzida pelo Gaeco do MPDFT com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do Distrito Federal.

Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Goiás e Tocantins.

As medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios em razão da prerrogativa de foro de um dos investigados.

A investigação apura suspeitas de crimes como corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Procurados pela reportagem, a Secretaria de Educação do DF e o deputado Hermeto ainda não haviam se manifestado até a última atualização. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

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