A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada após desfilar na Marquês de Sapucaí com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escola apresentou o tema “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narrando a trajetória do chefe do Executivo desde a infância no Nordeste até a Presidência da República.
O desfile percorreu episódios marcantes da biografia do presidente, como a migração para São Paulo, o trabalho como metalúrgico e a atuação sindical. A comissão de frente encenou a rampa do Palácio do Planalto e a última posse presidencial, com representações de figuras públicas como o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Críticas políticas e controvérsias antes do desfile
A proposta carnavalesca gerou forte reação política e jurídica antes mesmo de a escola entrar na avenida. Ao menos dez ações judiciais e representações foram protocoladas no Ministério Público e em tribunais de controle, sob a alegação de que o desfile poderia configurar propaganda eleitoral antecipada.
O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral, que rejeitou por unanimidade um pedido liminar para impedir a apresentação. Os ministros argumentaram que a proibição poderia caracterizar censura prévia, embora tenham alertado que eventuais irregularidades poderiam ser avaliadas posteriormente.
Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores orientou seus integrantes a evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como campanha antecipada. O governo federal afirmou não ter interferido na escolha do enredo e sustentou que o financiamento público ao carnaval é prática recorrente.
Problemas na avenida pesaram no resultado
Além da repercussão política, a escola enfrentou dificuldades operacionais durante o desfile. Alegorias ficaram presas na dispersão, gerando atraso e correria no encerramento da apresentação. A situação teria afetado a escola seguinte, a Imperatriz, que declarou ter sido prejudicada pelo incidente.
Depois da apresentação, o presidente Lula elogiou o desfile em redes sociais, enquanto adversários políticos reagiram com novas críticas e ameaças de medidas judiciais, insistindo na tese de promoção eleitoral indevida e uso irregular de recursos públicos.
Em nota divulgada na segunda-feira posterior ao desfile, a Acadêmicos de Niterói afirmou ter sofrido perseguição durante a preparação para o carnaval por causa do enredo escolhido.






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