Ao conversar nesta sexta-feira (22) com jornalistas, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, novamente deixou claro que o ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro, almirante Almir Garnier Santos, não se conformava com a transferência da Presidência determinada pelo resultado das urnas. Ao responder um repórter sobre o comportamento de Garnier, Múcio disse que “muita gente não desejava largar o poder:
“Ele (Garnier) não me recebeu. Eu percebia. Os outros comandantes (militares) me receberam. Não sei se ele tinha aspirações golpistas, mas a gente via, os jornais falavam, era outro governo, outros comandantes, outro presidente da República. Na realidade, a gente percebia que muita gente não desejava sair do poder, largar o poder. Mas no dia 1º de janeiro as Forças Armadas garantiram a posse do presidente e nós estamos vivendo a nossa plenitude democrática. Evidentemente que nós precisamos esclarecer essas coisas para que, deixando de suspeitar de todo mundo, possamos punir os culpados”.
Em entrevista na quinta-feira (21), Múcio já afirmara sobre Garnier: “Estávamos 100% do lado da lei, e ele não”.
Sobre a possível convocação de Garnier pela CPMI dos Atos Golpistas, Múcio disse que esse eventual depoimento não causará cause embaraço à Defesa ou à caserna. “Eles (parlamentares) são soberanos. O presidente, a relatora, a CPI, o Congresso pode convocar quem quiser. Acho que, se for para esclarecer, eles têm toda a autoridade e poder para fazer isso”, disse o ministro da Defesa.
Em delação à Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, contou que o ex-presidente recebeu de seu então assessor Filipe Martins uma minuta de decreto golpista e levou o documento até comandantes das Forças Armadas em busca de apoio. Garnier teria colocado as tropas da Marinha à disposição, enquanto o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, teria ameaçado prender Bolsonaro, segundo o Valor Econômico. “Se o senhor for em frente com isso, serei obrigado a prendê-lo”, teria dito chefe do Exército a Bolsonaro.
Múcio ainda disse aguardar dos investigadores os nomes dos militares envolvidos em tramas golpistas “para que nós possamos tomar as providências”.
Com informações do Brasil 247





