A manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (1º), com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal. O ato também ganhou tom eleitoral, com demonstrações públicas de apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, informa a Folha de S.Paulo.
O protesto teve como lema ataques ao governo federal e ao Judiciário, além de pedidos pela libertação de Bolsonaro e anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Cartazes e discursos contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli marcaram a mobilização.
Discurso com foco eleitoral e ataques ao governo
Flávio chegou ao local após o horário previsto, usando colete à prova de balas, e foi recebido com aplausos. Em conversa com jornalistas, afirmou que o país teria interrompido um ciclo positivo iniciado no governo do pai e disse quea oposição pretende recolocar o Brasil “no caminho da prosperidade”.
No discurso, o senador concentrou críticas a Lula, acusando o presidente de manter gastos elevados e estilo de vida luxuoso. “Esse é o Lula que defende os pobres”, declarou. Ele também criticou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apelidando-o de “Taxad”, e evocou o ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
Flávio defendeu ainda a possibilidade de impeachment de ministros do STF que, segundo ele, descumpram a lei. Ao mesmo tempo, buscou amenizar o tom institucional ao afirmar que a Corte é “fundamental para a democracia”, embora acusando alguns integrantes de enfraquecê-la.
Sinais de união na direita e disputa interna
O senador tentou demonstrar coesão no campo conservador, elogiando Nikolas Ferreira e citando aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito paulistano Ricardo Nunes, e os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Apesar disso, o evento ocorre em meio a tensões no bolsonarismo após críticas do deputado Eduardo Bolsonaro ao engajamento de aliados na pré-candidatura do irmão.
Eduardo participou por vídeo e afirmou que a eleição de Flávio permitiria a aprovação de anistia aos condenados do 8 de janeiro. Segundo ele, a eleição seria “a ferramenta” para garantir justiça aos aliados do ex-presidente.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou afastar o caráter eleitoral do ato, afirmando que a prioridade do partido é a defesa de Bolsonaro. “Tudo o que pudermos fazer para defender o Bolsonaro, nós estamos fazendo”, disse.
Mobilização na Paulista e presença de lideranças
Os discursos ocorreram em trio elétrico posicionado próximo ao Masp, onde manifestantes exibiram faixas contra o STF e bonecos infláveis do ex-presidente. A organização informou que o evento custou cerca de R$ 130 mil, arrecadados por financiamento coletivo.
Nikolas Ferreira puxou palavras de ordem contra ministros do Supremo e anunciou campanha de arrecadação para vítimas das chuvas em Minas Gerais. Já o pastor Silas Malafaia fez discurso duro contra o Judiciário, acusando Moraes de autoritarismo.
Aliados também saíram em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, elogiada por parlamentares e mencionada como figura importante para o campo conservador.
O ato terminou pouco antes das 17h, após oração coletiva conduzida por Nikolas, consolidando o evento como uma demonstração de força política e eleitoral da direita em ano decisivo para a sucessão presidencial.






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