O empresário e especulador Nelson Tanure vem causando um reboliço no cenário de recuperação da Light, quadruplicando o valor das ações da empresa desde sua mínima histórica. Já os investidores em títulos da dívida tem muitas razões para se preocuparem com a provável perda de parte considerável de seus recursos. Uma situação esquizofrênica: Tanure opera para disparar as ações e os investidores na dívida da empresa acumulam perdas.
Normalmente, empresas em processo de recuperação judicial veem suas ações desvalorizarem, cedendo o controle aos credores. No entanto, peculiaridades na legislação brasileira de recuperação judicial criam uma oportunidade lucrativa para os acionistas da Light.
Graças ao direito de atrasar o processo de recuperação de empresas no Brasil, os acionistas têm um poder incomum para pressionar outros investidores a suportar as perdas. Nelson Tanure, que inicialmente detinha menos de 10% da Light, tem adquirido ações em ritmo frenético, aumentando sua participação para cerca de um terço da concessionária.
Apostando em sua experiência anterior de sucesso, em que investiu em empresas brasileiras problemáticas, como a Oi e a PetroRio, Tanure não se limitou a ser um mero investidor. Na Light, ele conquistou um assento no conselho, indicou um aliado para a presidência e está engajado nas negociações com os credores.
Em maio, a Light entrou com um pedido de recuperação judicial, devido a diversos problemas, como perdas significativas de energia devido a roubo, inadimplência, receitas mais baixas de grandes clientes e provisionamento para devolver créditos fiscais aos consumidores.
Os investidores da dívida da companhia enfrentam preocupações com o risco associado a essa recuperação. Eduardo Ordonez, gestor de portfólio de dívida da BI Asset Management, alerta que o processo pode ser complexo e imprevisível, e há sensibilidade política envolvendo questões de concessão e fixação de tarifas.
Para a Light, o caminho para a aprovação de um plano de recuperação ainda requer negociações contínuas com os detentores de títulos. A presença de Tanure no conselho e sua estratégia em ação podem influenciar o resultado das negociações.
Enquanto os acionistas celebram o impressionante rali de 73% nas ações da Light este ano, os detentores de títulos permanecem cautelosos. A esperança é que, com o desenrolar das negociações, o plano de recuperação possa evoluir positivamente e oferecer melhores condições para todas as partes envolvidas. Por ora, a Light continua a ser um cenário desafiador tanto para os acionistas quanto para os credores, e o desfecho permanece incerto.





