A crise do governo Lula e o estado do Rio de Janeiro

        *Paulo Baía.  O estado do Rio de Janeiro tem duas ministras: Daniela Carneiro, ministra do Turismo, e Nísia Trindade, Ministra da Saúde. Exatamente essas duas ministras estão no foco da crise política desencadeada  não apenas pelo partido União Brasil, mas também pelo chamado centrão, que na prática parlamentar é um “direitão”…

        *Paulo Baía.

 O estado do Rio de Janeiro tem duas ministras: Daniela Carneiro, ministra do Turismo, e Nísia Trindade, Ministra da Saúde. Exatamente essas duas ministras estão no foco da crise política desencadeada  não apenas pelo partido União Brasil, mas também pelo chamado centrão, que na prática parlamentar é um “direitão” clientelista e patrimonialista.

O União Brasil quer os postos de Daniela Carneiro e de Marcelo Freixo e o “Centrão/Direitão”, juntamente com Arthur Lira, quer o cargo de Nísia Trindade.

Também existem pressões mais difusas, mas contundentes, no sentido de que o chefe da Casa Civil, o baiano Rui Costa, e o Ministro das Relações Institucionais, o paulista Alexandre Padilha, sejam também substituídos como articuladores políticos. Caso Alexandre Padilha efetivamente seja deslocado do Ministério da Articulação Institucional, outro nome do estado do Rio de Janeiro deixa o governo, o Secretário de Assuntos Federativos ex-deputado André Ceciliano.

Arthur Lira e o “Centrão/Direitão” gostam mesmo é de Fernando Haddad, que como Ministro da Fazenda dá continuidade e forma à política do ex-ministro Paulo Guedes.

A crise política em Brasília, com bloqueio dos fluxos de conexões do governo Lula sobretudo com a Câmara dos Deputados, e em especial com seu  presidente Arthur Lira, com o União Brasil, PP  e Republicanos,  traz como impacto negativo efetivamente a perda de densidade política no primeiro Escalão do Estado do Rio de Janeiro e, mais, a perda de densidade política das mulheres, porque serão duas mulheres substituídas.

Para o lugar de Nísia Trindade especula-se que o nome da médica Ludhmila Hajjar, o que não desidrata o poder feminino, mas desidrata muito a política de Saúde Pública e o SUS. Nísia Trindade é o símbolo que representa a resistência ao negacionismo na saúde no Brasil de Jair Bolsonaro e o combate à pandemia de Covid-19.

Esse é o quadro atual da crise política do governo Lula, que continua em andamento, não acabou com a reunião de ontem (13/06/23) com Lula dizendo a Daniela que ela fica. Por quanto tempo não se sabe. O União Brasil fala em mais sete dias, até o dia 20 ou 21/06/23.

O fato é que Daniela Carneiro, Nísia Trindade e Alexandre Padilha estão sob ataque, estão sob fogo pesado.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

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