Com o fim do carnaval de 2025, enquanto muitas escolas do Grupo Especial já se voltam para o planejamento do próximo desfile, a Portela vive uma disputa acirrada por sua presidência. Segundo informações de O Globo, a centenária azul e branco de Madureira realiza nos próximos dias uma eleição interna que mobiliza alguns de seus nomes mais emblemáticos — incluindo uma divisão entre duas das maiores personalidades da história da escola: Tia Surica e Vilma Nascimento.
A atual gestão decidiu não concorrer à reeleição, abrindo espaço para duas novas chapas que polarizam a disputa. De um lado, está a chapa Supera Portela, que tem como candidato à presidência o médico Léo e, como vice, o empresário André Martinelli, do ramo imobiliário. O grupo conta com apoios de peso, como os músicos Noca e Mauro Diniz, filho do saudoso Monarco. Tia Surica, uma das figuras mais respeitadas do samba carioca, declarou apoio irrestrito à chapa e ainda aceitou o convite para se tornar presidente de honra da candidatura.
Durante um almoço especial de Dia das Mães, a baluarte fez críticas contundentes à gestão anterior da escola:
— Eu quero o melhor para a minha Portela. Do jeito que está, não dá para continuar. A Portela é a minha segunda família. Precisa mudar tudo. A outra gestão estava colocando a minha escola no buraco. Precisamos de alguém que lute e leve ela de volta para o lugar que ela pertence, afirmou Tia Surica.
Do outro lado da disputa está a chapa Portela Raiz, encabeçada por Júnior Escafura — filho do notório bicheiro José Caruzzo Scafura, o Piruinha — como candidato à presidência. A lendária passista Nilce Fran é a vice, e Vilma Nascimento, considerada uma das maiores porta-bandeiras da história do carnaval, assume a função simbólica de presidente de honra.
A eleição deve definir não apenas o comando administrativo da escola, mas também os rumos artísticos e a condução da Portela rumo ao carnaval de 2026.
O que vem por aí na Sapucaí?
Enquanto a Portela resolve sua questão interna, outras escolas já anunciaram seus enredos ou estão nos últimos ajustes para as escolhas que irão embalar os desfiles do próximo ano. Entre os temas cotados nos bastidores, a cidade de Balneário Camboriú (SC), conhecida pelo luxo e pela presença de influenciadores, pode ganhar espaço na avenida como enredo de alguma agremiação.
Outras possíveis homenagens incluem a cantora Rita Lee, que pode ser celebrada pela Mocidade Independente de Padre Miguel, e a escritora Carolina Maria de Jesus, cotada para ser tema da Unidos da Tijuca — o que marcaria seu retorno à Sapucaí após o desfile do Salgueiro em 2018.
Já a Grande Rio deixou no ar a possibilidade de levar para a avenida o mangue bit, movimento cultural surgido em Pernambuco nos anos 1990, que uniu música, artes visuais e crítica social. A especulação surgiu após publicações sugestivas da escola em suas redes sociais.
Com enredos cada vez mais diversos, ligados tanto à cultura popular quanto à crítica social, o carnaval de 2026 promete mais uma vez unir tradição e inovação na Marquês de Sapucaí.





