Com 80% das obras já realizadas e atualmente paralisado por ordem judicial, o projeto da tirolesa do Parque Bondinho Pão de Açúcar deve aumentar o turismo na cidade do Rio Janeiro. Pelo menos é o que aponta pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, no início de agosto, com 815 pessoas: nove em cada 10 moradores do Rio de Janeiro (88%) acreditam que a nova atração incrementará o número de turistas na capital.
É o mais conhecido cartão-postal do Rio e mundialmente famoso: o Pão de Açúcar recebe por ano 1,6 milhão de visitantes. Segundo o levantamento, além de atrair visitantes, 84% dos entrevistados acham o empreendimento interessante para um local turístico. A pesquisa mostra ainda que para 78% dos entrevistados a atração pode ajudar a solidificar a imagem do Brasil como local turístico de qualidade internacional.Apesar de a proposta ainda não ser conhecida por todos, de forma geral, dois em cada três entrevistados (67%) declaram uma opinião positiva sobre o projeto, enquanto 21% se posicionam de forma neutra e 11% apresentam opinião negativa.Dentro do grupo de entrevistados que conhecem o projeto da tirolesa do Parque Bondinho (37%), 65% têm opiniões positivas. Já 19% têm opiniões neutras. No grupo que diz não conhecer o projeto (62%), as opiniões foram positivas em 69% das respostas, enquanto as opiniões neutras e negativas alcançaram 23% e 8%, respectivamente.
Sobre o impacto ambiental da tirolesa, 41% acreditam que a atração trará um impacto ambiental positivo, 30% creem que a atração não trará nenhum impacto aos Morros do Pão de Açúcar e da Urca e 19% acham que trará impacto negativo. Já 11% não souberam ou não quiseram responder à pergunta.Quando perguntados sobre o que vem à cabeça ao ouvirem falar sobre uma tirolesa no Rio de Janeiro, 40% das menções estão relacionadas à recreação e 18% a locais turísticos. Palavras, como “diversão”, “turismo” e “aventura” foram algumas das mais mencionadas durante a pesquisa, segundo o Datafolha.A pesquisa também abordou a percepção dos moradores do Rio em relação ao Pão de Açúcar como destino turístico da cidade: 53% já visitaram o cartão-postal, enquanto 74% têm a intenção de visitá-lo nos próximos dois anos. Questionados se a tirolesa impactaria na decisão de visitar o Parque Bondinho, 52% disseram que não, já 44% afirmaram que as chances aumentariam com a nova atração. Por outro lado, somente 4% relataram que a instalação da tirolesa diminuiria suas intenções de visitar o Parque. Para a pesquisa, o Instituto Datafolha, entrevistou 815 pessoas na capital fluminense e na Região Metropolitana do Rio, entre os dias 7 e 11 de agosto. A margem de erro máxima para essa amostra é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.Embargada pela Justiça Federal desde junho, a obra da tirolesa do Parque Bondinho Pão de Açúcar divide opiniões. Para o Ministério Público Federal e alguns especialistas, contrários à construção do empreendimento, há risco de danos ambientais. A obra foi suspensa em junho pela Justiça Federal. Na decisão, o juiz ordenou a interrupção de “cortes ou perfurações em rocha” e proibiu “executar qualquer intervenção nos morros do Pão de Açúcar, Urca e Babilônia que implique demolição ou construção de novos elementos”, sob pena de multa diária.
Em julho, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recebeu um novo parecer técnico da Fundação Instituto de Geotécnica (Geo-Rio), da prefeitura, sobre as obras. Segundo a instituição, o documento mostra que as obras para instalação do equipamento não apresentam risco para o morro ou dano à paisagem carioca. O parecer técnico foi pedido para atender ao questionamento da sociedade civil de que a rocha estaria sendo mutilada.A uma velocidade estimada em 100 quilômetros por hora, o salto será a partir de 395 metros de altitude e terá a duração de 50 segundos. Serão quatro vias de descida paralelas, com partidas e chegadas próximas às estações do teleférico. O aventureiro vai percorrer uma distância de 755 metros, entre o Pão de Açúcar e o Morro da Urca.De capacete e proteção facial, o aventureiro vai descer numa cadeirinha de tecido ultra resistente presa a equipamentos de ponta aos cabos. O passeio será acessível a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A capacidade, de acordo com a concessionária, será de 100 pessoas por hora.Sobre o potencial de impacto ambiental da tirolesa, 41% acreditam que a atração trará um impacto ambiental positivo e 30% que a mesma não trará nenhum impacto aos Morros do Pão de Açúcar e da Urca. Já 11% não souberam ou não quiseram responder à pergunta.
Os dados reforçam a expectativa da indústria turística para o ecoturismo no Brasil. Com a mudança de comportamento dos viajantes após a pandemia, o segmento tem se destacado como uma tendência em ascensão no país.





