32 jornalistas foram feridos nos protestos contra aprovação de ‘Lei Ônibus’ proposta pelo governo ultraliberal de Javier Milei

Desidratação de projeto pela Câmara argentina levou deputados a aprovarem cerca de 380 artigos dos 664 apresentados

Os protestos contra as reformas liberais que o ultraliberal Javier Milei tenta fazer na Argentina deixaram 32 jornalistas feridos até esta sexta-feira (2). Um advogado de direitos humanos e assessor legislativo de partido de esquerda também teve o olho operado após ser atingido por uma bala de borracha.

Segundo o governo, sete policiais ficaram feridos e oito pessoas foram detidas desde o início dos protestos, na quarta-feira, até ontem, quando as manifestações começaram em frente ao Congresso Nacional, onde deputados discutem o pacote de leis apelidado de “lei ônibus”. Depois da aprovação do texto geral, os parlamentares precisão analisar individualmente cada artigo.

A lista com os nomes dos repórteres, repórteres gráficos e fotógrafos feridos foi divulgada pelo Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (SiPreBA). Ela inclui profissionais freelancers e de diversos meios do país, como a agência pública de notícias Télam e os jornais Página 12 e Ámbito Financiero.

“Pedimos que cessem as ações repressivas nos próximos dias e exigimos que nossos colegas possam realizar seu trabalho jornalístico em paz, sem agressões ou impedimentos. A liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia que deve ser defendido, garantido e respeitado por todos os poderes do Estado”, escreveu em nota a organização.

Nos primeiros dias de seu mandato, em dezembro, Milei instituiu um novo protocolo com tolerância zero contra o fechamento de vias por manifestantes, os chamados piquetes, criticados por parte da população. Desde então, forças federais estão sendo empregadas para romper o método de protesto.

Nos últimos dois dias também houve registros de agressões. Não há uma contagem oficial de feridos em geral, já que as pessoas foram sendo atendidas no momento por profissionais de saúde voluntários, ou nem chegaram a ser socorridas.

Entre os jornalistas, 21 foram atingidos por balas de borracha, disparadas por policiais federais que passavam de moto fazendo movimentos circulares para impedir que os manifestantes bloqueassem as ruas, mas também subiram e dispararam nas calçadas. A Folha presenciou o momento em que um fotógrafo caminhava ensanguentado, com ferimentos na canela.

A maioria das lesões relatadas foram nas pernas, mas também houve jornalistas atingidos na cintura, nas costas, nas mãos e até no rosto. Foi o caso do repórter Kresta Pepe, repórter gráfico do jornal La Izquierda Diario, que publicou uma foto com um ferimento a poucos centímetros do olho.

O advogado Matías Aufieri, por sua vez, teve que ser internado. “Matías, advogado e assessor da nossa bancada, aproximou-se da praça para fazer um levantamento do que ocorria. Ele foi baleado no olho”, disse a deputada e ex-candidata à Presidência Miriam Bregman, do partido Frente de Esquerda. Ele também advoga para o Centro de Profissionais pelos Derechos Humanos (CeProDH).

Já Hernán Nucera, cronista, do canal C5N, e Pablo Guillermo Bovet afirmaram ter tido alvejados por quatro projéteis cada um. Ao menos outros sete profissionais da imprensa sofreram complicações ou queimaduras pelo gás de pimenta, usado por agentes que faziam a contenção com escudos.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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