Votação de data em memória às vítimas do Hamas gera debate na Alerj

Proposta aprovada em segunda discussão teve apoio da maioria, mas voto contrário do Psol provocou reações de deputados da base e da oposição

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em segunda discussão, nesta segunda-feira (30), o Projeto de Lei 3.217/2024, que inclui no calendário oficial do estado o Dia em Memória às Vítimas do Massacre ao povo de Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023, em ataque promovido pelo grupo Hamas. A proposta, de autoria do deputado Átila Nunes (PSD), gerou controvérsia durante a sessão extraordinária, a última antes do recesso parlamentar.

O ponto de tensão surgiu com o posicionamento do Psol, que votou contra a proposta. O deputado Flávio Serafini, ao justificar o voto, afirmou que não poderia apoiar o projeto diante do que classificou como ações de extermínio promovidas por Israel contra os palestinos. Segundo ele, o reconhecimento das vítimas do atentado não pode ser dissociado do atual cenário de violência na Faixa de Gaza.

A fala provocou reações de deputados tanto da base quanto da oposição. O deputado Douglas Gomes (PL) argumentou que o texto aprovado se refere exclusivamente às vítimas do massacre promovido pelo Hamas e não à situação atual do conflito no Oriente Médio. “Estamos votando uma data de memória a um atentado específico, não é uma análise do que acontece no país como um todo”, disse.

Mesmo opositor ao governo, o deputado Carlos Minc (PSB) votou a favor da proposta, alinhando-se à interpretação de que o projeto não trata do conflito em sua totalidade, mas sim de um episódio específico e trágico. “É possível reconhecer a gravidade daquele ataque sem que isso signifique concordar com a política do governo israelense”, afirmou.

Já o deputado Alexandre Knoploch (PL), de origem judaica, classificou como lamentável a posição do Psol e rebateu diretamente a fala de Serafini. “Se fosse a mãe ou algum parente dele que tivesse sido vítima daquele atentado, talvez o posicionamento fosse diferente”, disse.

Com a aprovação em segunda discussão, o texto segue agora para análise do governador Cláudio Castro, que terá até 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta. Caso seja sancionado, o Dia em Memória às Vítimas do Massacre ao povo de Israel será incluído no calendário oficial do Estado do Rio de Janeiro.

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