Moradores do Jardim Lusitânia, na zona sul de São Paulo, instalaram uma série de placas para alertar frequentadores do Parque do Ibirapuera sobre a recorrência de roubos em alguns pontos do bairro. Foram colocados oito avisos em diferentes vias, como na Rua Macau, que dá de frente para o portão 6 do parque. Outra placa foi colocada na Rua dos Açores, em frente a uma guarita de segurança. A previsão é que mais duas sejam expostas nos próximos dias.
Casos de roubos e furtos, cometidos especialmente por criminosos de moto, têm preocupado moradores da região e frequentadores do Ibirapuera. Chamam atenção as ocorrências não só no Jardim Lusitânia, mas também perto do Museu de Arte Contemporânea (MAC), na Vila Mariana, como mostrou o Radar da Criminalidade.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) afirmou, em nota, que as forças de segurança têm intensificado as ações de combate a crimes realizados com o uso de motocicletas, com operações especiais das polícias Civil e Militar. “Na região, houve redução de 9,8% nos roubos gerais na 2ª Delegacia Seccional em 2024, em comparação com 2023”, disse a pasta (mais abaixo).
As placas, instaladas em cavaletes distribuídos pelo Jardim Lusitânia, trazem um aviso de “atenção!” em vermelho e, logo abaixo, o alerta: “região de alto índice de roubo de celulares”. A ideia é que moradores de diferentes ruas recolham esses avisos de noite e voltem a colocá-los pela manhã.
“É uma maneira (colocar as placas) de chamar atenção a qualquer custo para que seja feita alguma coisa”, afirmou ao Estadão o morador de 61 anos que encabeçou a iniciativa. Há 30 anos no Jardim Lusitânia, o homem, que trabalha como empresário, preferiu não se identificar.
“A gente sabe que alguns moradores não gostam (desse tipo de iniciativa), acham que vai desvalorizar a região, mas está insustentável”, disse. “Sábado (22), enquanto colocávamos a primeira placa, na Rua Macau, ouvimos uma senhora gritando porque tinha acabado de acontecer um assalto.”
Arredores da Rua Macau, onde ao menos uma das placas foi instalada, foram registrados 5 crimes entre aqueles mapeados pela ferramenta (latrocínio, sequestro, e roubo/furto de celular e veículos) em dezembro de 2024, redução de 37,5% ante o mesmo mês de 2023. A principal incidência foi de roubo de celular, com dois casos.
Já no 36° Distrito Policial (Vila Mariana), que investiga as ocorrências na região, foram contabilizados 91 crimes, com o furto de celular no topo da lista de casos (45), também segundo o Radar da Criminalidade. Trata-se de uma diminuição de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o morador que encabeçou a iniciativa de colocar as placas, apesar de os indicadores mais recentes indicarem uma possível melhora no fim do ano passado, a sensação de quem reside do bairro é de que os casos de roubo seguem em alta por ali, com destaque para o começo deste ano.
No último dia 9, imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Estadão mostram dois homens em uma moto assaltando três jovens pouco antes das 7h na Rua Nun’Álvares, a poucas quadras do Parque do Ibirapuera. Com uma arma de fogo em mãos, o ladrão que estava na garupa do veículo parece solicitar que as vítimas desbloqueiem os celulares antes de levar os aparelhos.
Uma semana antes da instalação das placas, no dia 15, teria havido outros três roubos à mão armada em sequência no Jardim Lusitânia, segundo o morador que tomou a iniciativa. Ele afirma que há ocasiões que as vítimas sequer registram boletim de ocorrência, o que dificulta a ação das forças policiais para tentar coibir os crimes na região.
O empresário acrescenta que a iniciativa dos avisos foi pensada não só para alertar quanto aos crimes na região, mas para funcionar como uma espécie de “desabafo” em relação à sensação de impunidade vivenciada por ali. Mais abaixo da frase principal na placa, há o desenho de uma abordagem à mão armada e uma última frase: “impunidade aos ladrões gera privação aos cidadãos”.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as forças policiais prenderam, no começo deste ano, 3.837 suspeitos, além de terem apreendido 327 armas de fogo. Em paralelo, a Operação Mobile, voltada ao combate de roubos e furtos de celulares, apreendeu 8.469 aparelhos em janeiro, resultando na devolução de 1.094 unidades aos proprietários. “A ação também contribuiu para a redução de 9% nos roubos e furtos de celulares em 2024″, acrescentou.
A pasta reforçou a importância do registro de ocorrências para subsidiar investigações conduzidas pela Polícia Civil. “Quando os crimes são registrados, seja em unidades territoriais ou pela Delegacia Eletrônica, os boletins de ocorrência são encaminhados ao setor de investigação, que analisa imagens de câmeras de segurança e realiza diligências para identificar os responsáveis”, afirmou a pasta.
A secretaria frisou ainda que o registro “também é fundamental para mapear áreas mais afetadas e direcionar o policiamento de maneira eficiente”. Bem próximo do Parque do Ibirapuera, na Avenida Quarto Centenário, na região do Jardim Lusitânia, fica instalada a 3ª Companhia do 12° Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, que realiza patrulhamento na região.
Com informações do jornal Estado de São Paulo, Estadão





